• Longe dos Holofotes #19 – Davi da Silva
    15 de junho de 2017

     

    Em meio as apostilas de estudo para a carreira policial, Davi Aparecido da Silva achava tempo para o futebol. Apesar de apaixonado pela bola, sempre teve o apoio da família para apostar em algo mais concreto. Por conta disso, seguiu estudando, deixando o esporte bretão de lado. Até os 17 anos, pouquíssimas peneiras puderam ver Davi. Mas, depois disso, não tinha como fugir do seu amor, mesmo com as dificuldades.

    “Comecei a ter algumas oportunidades no futebol, mas meu padrinho nunca me deixava ficar, por conta da escola. Minha família, então, foi meio neutra nesse ponto. Até por eu ter começado tarde, sempre priorizaram os estudos”

     

    Davi, então, começou sua trajetória no futebol. Com vinte anos passou a atuar profissionalmente em pequenos clubes do país. Passou por Sumaré e Taboão da Serra antes de deixar o Brasil e se aventurar em outras culturas. Rumou ao Birkirkara Football Club, de Malta.

    “Minha dificuldade foi o idioma. O inglês me prejudicou muitas vezes no início, tudo novo e sem saber se comunicar é muito complicado. Graças a Deus conheci pessoas que realmente me ajudaram nesse período, como o Toninho, um amigo que lembro sempre. Me ajudou bastante naquela adaptação pois já estava a mais tempo do que eu nessa vida”

    Davi é, atualmente, um dos destaques do Qadsia Sports Club.

    Amante de desafios, o brasileiro não se intimidou com as barreiras impostas pelo idioma. Se virou como pôde e, de novo, abraçou outra difícil oportunidade. Dentro da Europa, mudou-se de Malta para Irlanda, onde foi defender o Shelbourne FC, atualmente na segunda divisão do país.

    “Foi uma experiência única, mas não me acrescentou muito no futebol. Aprendi o inglês, pelo menos o básico, que me ajuda até hoje. Fiz um intensivo muito bom. Mas futebolisticamente falando, foi decadente”

     

    Mesmo tendo aprendido o suficiente da língua local, se decepcionou em outros sentidos com a vida na Europa. A partir do momento que começou a tentar entender mais sobre os assuntos que lhe envolviam, resolveu encerrar sua passagem por lá e aceitar uma nova chance no seu país natal.

    “Estava cansado e descobri algumas mentiras por conta do inglês. Depois disso, com as dificuldades e com pouco dinheiro, recebi uma proposta de teste muito boa. Como já queria sair, resolvi aceitar. O empresário conversou comigo e disse que eu poderia voltar ao Brasil. Aceitei e retornei”

     

    Apesar do retorno, a vida de Davi parecia mesmo destinada ao futebol estrangeiro. Pouco mais de um ano depois de voltar a atuar em terras brasileiras, rumou aos Emirados Árabes, onde fez amizades e contatos que, posteriormente, o levaram ao Omã. No país, as diferenças do futebol europeu foram bastante sentidos.

    “O futebol lá é muito forte fisicamente, tem bons jogadores na liga que tranquilamente jogariam no Brasil. O futebol de Malta é muito rápido por usar muito sintético, já na Irlanda é muito parecido com o inglês, muito tático com campos pequenos”

     

    Foram quase duas temporadas defendendo o Al-Musannah até uma nova oportunidade surgir para o brasileiro. Agora, a proposta vinha do Japão, país mais desenvolvido dentro e fora dos gramados. Foi lá que, segundo ele, viveu um de seus melhores momentos.

    “Uma das melhores experiências que tive. Tudo funciona, impressionante como são educados e atenciosos. Limpeza e organização. Nunca vi igual. Quanto ao idioma eu tinha um tradutor e na maioria das vezes ele estava presente”

     

    A satisfação, no entanto, durou pouco. Foram alguns meses defendendo o Zweigen Kanazawa até que outra mudança acontecesse na vida do rapaz, que por pouco não seguiu carreira policial. Agora, foi o Qadsia SC, do Kuwait, quem fechou sua contratação. Por lá, os gols não param de sair dos pés do atacante. É, sem dúvida, um grande momento em sua trajetória no futebol.

    “Não considero auge. Considero um bom trabalho que vem a cada ano crescendo como foi planejado desde o início no mundo árabe. Converso muito com minha esposa e a principal conversa era sobre o progresso, graças a Deus estou tendo êxito nas metas. Tem muito o que melhorar”

    🔫🔫💣😍🖤💛

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    Nos países que passou, a estrutura nunca foi de primeiro mundo. Mas ele não se importa. Seu passado de várzea, ainda quando criança, o prepararam para qualquer situação.

    “A estrutura é um detalhe quando você está focado no seu trabalho. Quem quer faz em qualquer lugar. Jogava bola na rua de pedra descalço, o que seria estrutura?”

     

    Com os gols saindo, Davi segue dando seus passos dentro do esporte que por pouco não ficou de lado. Mesmo em meio aos estudos e de olho no futuro, o garoto sempre teve espaço para sua paixão. Os lápis até ajudavam, mas a melhor amiga era a bola. Como é até hoje, em qualquer lugar do mundo.

    “Quero agradecer todos os leitores que tiveram esse tempo para acompanhar um pouco da minha trajetória e desejar a todos boa sorte em suas vidas e que Deus possa abençoar os planos de cada um”

    Postado por Andrew Sousa Formando-se em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Corinthiano, Magpie, amante de jogadores ruins e apaixonado por um bom domínio, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.