Liberté, egalité, fraternité: viva o futebol
24 de junho de 2019

 

Liberdade, igualdade e fraternidade. Você sabe muito bem de que região do planeta vem essa frase. As três palavras que mais representam a França e os franceses são uma ilustração fantástica para descrever o melhor esporte do planeta. Mais especificamente a última delas: fraternidade. O futebol é e sempre será fraterno nos corações franceses.

A Copa do Mundo feminina, que vem sendo disputada na França, já é um sucesso. Com ótimos públicos até mesmo para os padrões do futebol masculino, o evento já pode ser considerado um importante passo na busca por mais visibilidade, igualdade e afins no esporte e na sociedade. E quis o destino que a competição fosse disputada no país que leva a igualdade em seu lema.

A liberdade pode ser representada por um povo que se orgulha de ser livre e que acima de tudo prega essa mesma liberdade para todos os povos. É importante não generalizar os resquícios de preconceito e extremismo que ainda existem na sociedade francesa, mas que felizmente já são muito menores do que em décadas passadas. Hoje, a França é livre e seu povo também.

Nosso país se decepcionou com a eliminação no último domingo com a derrota por 2 a 1 na prorrogação para as anfitriãs. O fato é que do outro lado existia uma grande equipe, mais organizada e preparada que a brasileira e que, além disso, jogava em casa. Me decepciona ver nossa seleção, recheada de boas jogadoras, não se resumindo apenas a Marta, Formiga e Cristiane, mas também com Andressa Alves, Debinha, Andressinha, Thaisa e outras, ser destruída coletiva e taticamente pelo treinador Vadão, mas isso é assunto para outra hora.

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Vadão é o principal alvo das críticas da imprensa.

A seleção francesa começa pela sua treinadora. Corinne Diacre foi zagueira e se tornou a primeira mulher da história do futebol francês a treinar uma equipe masculina: o Clermont Foot, clube da Ligue 2, segunda divisão do futebol do país. Mais que um marco para a busca por igualdade no futebol feminino, Diacre é uma das principais treinadoras do mundo na modalidade. E é certamente o diferencial da seleção francesa, que apresenta um grande futebol, um dos melhores da Copa do Mundo.

Obviamente em campo as francesas também tem talento. Com uma base formada pela equipe do Lyon, hexacampeão da Liga dos Campeões feminina (atual tetra consecutivo), o time conta com nomes do mais alto patamar do futebol feminino – a zagueira Renard, a volante Henry, as atacantes Diani e Le Sommer e principalmente a lateral esquerda que veste a camisa 10, Majri.

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Henry, a algoz das brasileiras.

Mais do que talento, a França tem uma identidade. Tem a alma que um conjunto precisa ter e a organização que uma grande equipe possui. Já era possível perceber a força francesa na abertura, em Paris, quando a Marselhesa foi entoada a plenos pulmões por milhares de apaixonados torcedores. Em campo, show francês e vitória por 4 a 0 sobre a Coréia do Sul.

Pode doer ver o Brasil ser eliminado. Mas é encantador ver país e seleção jogando juntos, no berço da revolução. Liberdade, igualdade, fraternidade. Viva o futebol e viva a França!

Postado por Pedro Guevara