JogaMiga #04 – São Paulo busca seu espaço no futebol feminino
26 de setembro de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol Feminino

(Foto: Anderson Rodrigues/SPFC)

 

Passaram-se 40 anos da liberação da prática do futebol por mulheres no Brasil. Em 2019, com a obrigatoriedade dos clubes que disputam a série A do Brasileiro masculino em manter um time de futebol feminino (de base e na categoria adulta), alguns clubes tiraram os projetos das gavetas. Um deles, o São Paulo Futebol Clube, que hoje recebe os créditos de um trabalho bem desenvolvido e que colhe seus frutos. 

Comandadas por Lucas Pinnato de Sá e Nilda Ismael do Nascimento – ex seleção brasileira – o clube conquistou recentemente o título da série A2 do Campeonato Brasileiro e, consequentemente, o acesso para a elite nacional. E também está na final do Campeonato Paulista com o Corinthians, jogos que acontecem em novembro, ainda sem data definida.

E em 2020 já pode encabeçar, talvez, o favoritismo da elite no nacional. O clube, assim que iniciou as atividades da equipe principal, destacou que quer voltar aos tempos gloriosos de Kátia Cilene, Sissi e Formiga, quando o esquadrão venceu o Brasileiro (1997) e o Paulista (1997 e 99). E o trabalho está focado nisso.

Para alcançar esses objetivos, realizou seletivas em outubro do ano passado e montou um grupo com 28 talentosas atletas. E estava em busca de uma jogadora experiente e agregadora, que apareceu assim que o clube demonstrou a solidez do projeto: Cristiane. 

O grupo de jovens jogadoras levou o SP a ótimos resultados já na primeira temporada (Foto: Rubens Chiri/SPFC)

O Título Brasileiro A2

Com uma atuação quase perfeita ao longo do Brasileiro, o São Paulo conquistou 10 vitórias, 2 empate e 1 derrota nas 13 partidas disputadas. Fez 42 gols e sofreu apenas 4. E quem se destacou no campeonato foi a atacante Valéria Cantuário, que marcou 6 gols e foi a artilheira da equipe. 

Durante a competição, uma derrota nas quartas-de-final para o Taubaté (0x1), mas logo na partida de volta, conseguiu impor uma excelente virada (3×0). Já nas semis, o São Paulo encontrou dificuldades na partida contra o Palmeiras. No primeiro confronto, vitória por 1×0 com gol aos 11 minutos do segundo tempo – quebrando a sequência 100% do Palmeiras na competição. A equipe palestrina teve ainda um gol anulado no fim da partida. No retorno, o empate por 1×1 garantiu a sequência para o Tricolor. 

O título foi praticamente confirmado no primeiro jogo contra o Cruzeiro, em casa. A goleada por 4×0 deixou a equipe paulista tranquila no jogo da volta. Mas o time mineiro pressionou muito e, ainda assim, abriu o placar no primeiro tempo. Mas o gol de Ottilia, no início do segundo tempo, assegurou o título da competição. 

No Paulistão

No Campeonato Paulista, o time também mostrou consistência e bons resultados. Ao todo, foram 10 vitórias, 7 empates e apenas uma derrota, contra o Santos, na segunda fase. E foi exatamente sobre as Sereias da Vila que o Tricolor chegou à final – no agregado das duas partidas das semifinais, 5×4 para o São Paulo. 

Diferente do Brasileiro, o São Paulo levou mais gols no Paulistão. Ao todo, sofreu 14 gols  e balançou as redes adversárias 31 vezes. Por ser um campeonato mais equilibrado entre as equipes, não foi tão comum ver goleadas. Apenas o 5×0 contra o Inter de Franca na fase de grupos. 

O time, que teve o desfalque de Cris após a Copa até esse mês de setembro, manteve um padrão de jogo incrível. Sem contar o desenvolvimento e o destaque para jovens jogadoras, como Yaya, Ary, Ottilia, Valéria… A gente, assim como a Alline, espera que o São Paulo só cresça daqui pra frente. 

Por: Bruna Didario

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