Jogamiga #01 – Por trás da timidez, Lucy Bronze esconde o fino do futebol inglês
5 de setembro de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol Feminino

 

Claramente sem jeito por meio de um vídeo, Lucy Bronze recebeu o prêmio de melhor jogadora da Europa pela UEFA. Para sua “sorte”, a premiação aconteceu durante o período que servia a seleção da Inglaterra. E, mais uma vez, a inglesa terá que colocar a timidez de lado. Ao lado de Megan Rapinoe e Alex Morgan, Lucy está entre as três melhores jogadoras em 2019 na eleição da FIFA. Entre tantas goleadoras e estrelas, o destaque para uma lateral direita/meio-campo ao receber tantas indicações representa muito para o futebol feminino e para a modalidade em si. 

 

Há dois anos no elenco do Lyon, Lucy tem uma leitura de jogo impressionante e sabe exatamente com quem contar. Com um elenco invejável, a jogadora é peça fundamental na equipe. Faz a defesa movimentar com Griedge Mbock, trabalha boas jogadas pelo meio ao lado de Henry e Marozsan e ainda serve atacantes como Hegerberg e Nikita Parris. Parece trabalho fácil, né? Não se engane… 

Antes de atuar pela equipe francesa, Bronze teve passagens pelo Sunderland, Everton, Liverpool e Manchester City – e sim, até hoje torcedores sentem aquela saudade da lateral. Pelos dois últimos times ingleses, ela conquistou o Professional Footballers’ Association (PFA) Women’s Players’ Player of the Year. E antes de sua carreira no futebol inglês, a atleta também venceu um título da NCAA nos Estados Unidos, atuando pela Universidade da Carolina do Norte, em 2009. 

Lucy na Seleção
Por onde passou, conquistou títulos. Mas ainda falta uma grande conquista pela seleção inglesa. Os terceiro (2015) e quarto (2019) lugares na Copa do Mundo ainda não foram suficiente pela qualidade do elenco. A última conquista foi no torneio SheBelieves, no início do ano, após a vitória sobre os Estados Unidos. 

Na Inglaterra, Bronze precisa se acostumar a atuar como meia, a pedido do técnico Phil Neville. O comandante inglês acredita que é um risco que vale a pena correr não tê-la na lateral. “Este risco pode nos levar aonde queremos chegar e ser uma equipe melhor. Pep Guardiola fez isso com Philip Lahm [no Bayern de Munique]. Mesmo sendo um dos melhores zagueiros, arriscou e o colocou no meio-campo”, profetizou o comandante à BBC

Lucy é bem clara ao dizer que não se sente confortável, mas que está disposta à essa alteração de posição. “No meio-campo me sinto desconfortável. Pode não funcionar –  e posso ser uma terrível meio-campo – mas é um desafio que estou ansiosa”, disse a jogadora. 

Na Copa do Mundo da França, a jogadora sempre foi o centro das atenções quando as Lionesses estavam em campo. Na fase de grupos, a seleção venceu as três partidas – Argentina, Escócia e Japão – e com facilidade bateu Camarões nas oitavas. Na fase seguinte, a Noruega foi o time abatido. Lucy Bronze fez um golaço de fora da área após cruzamento de Beth Mead e foi eleita a jogadora da partida. Nas semis, encontrou os Estados Unidos e no famoso jogo da comemoração da xícara de chá, as inglesas perderam por 2×1. 

Premiações
Longe de ser o tipo de jogadora que atrai os holofotes fora de campo, Bronze conta com inúmeras premiações individuais. E ela faz questão de manter os pés no chão quanto a isso “Não estou em busca de prêmios para mim, ou ser a melhor na Europa. Quero ganhar títulos para meu clube e para minha seleção. Ser a primeira jogadora da Inglaterra a ganhar o prêmio europeu (UEFA) é mais importante do que ser para mim. Isso mostra que o futebol inglês está crescendo e melhorando”, disse Lucy ao The Guardian.  

 

Ela pode até dizer que não é lá grande merecedora da premiação, mas a diferença de pontos na eleição para suas adversárias e companheiras de clube foi notável – 32 e 44 pontos a mais que Ada Hegerberg e Amandine Henry, respectivamente. 

Lucy também foi pioneira na premiação da BBC Women’s Footballer of the Year em 2018. Desde a criação do prêmio, em 2015, ela foi a única jogadora inglesa – até hoje – a ser indicada e vencer a premiação. Ela deixou para trás Lieke Martens e Sam Kerr. 

Impecável
Aos 27 anos e atuando em duas posições em momentos diferentes, Lucy tem o reconhecimento de suas companheiras e ex-companheiras de clube. Sempre dedicada, forte fisicamente e praticamente incansável, a atleta se destaca. “As pernas dela fazem o que ela quer mesmo!”, contou Georgia Stanway, que atua no City e ao lado de Bronze na seleção.  

Como inspiração, Lucy Bronze destaca sua companheira Dzsenifer Marozsán e Alex Scott, sua precedente na seleção da Inglaterra. “Ela me levou a ser uma jogadora muito melhor”, finalizou.

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