• Inesquecível #2  – Quando o resultado foi um mero coadjuvante
    8 de agosto de 2017
    Categoria: Inesquecível

    Um dia que entrou para a história do futebol.

    Pouco mais de seis meses após o trágico acidente aéreo sofrido pela equipe da Chapecoense, que acabou culminando na morte de 71 pessoas, o clube catarinense, no dia 07 de agosto de 2017, entrou em campo para disputar o tradicional Troféu Joan Gamper, no estádio Camp Nou, à convite do Barcelona. O jogo, por tudo que representou para os presentes, tanto anfitriões, quanto visitantes e torcedores, entrou para a história como uma partida que, apesar da goleada aplicada pelos donos da casa, valeu mais pela celebração a vida dos que sobreviveram ao acidente, mas sem renegar a memória daqueles que nos deixaram de forma tão catastrófica.

    Como era de se esperar, as homenagens começaram cedo e o pré-jogo ficou marcado por cenas admiráveis. Dois dos sobreviventes, Neto e Jackson Follman, encarregaram-se de dar o pontapé inicial da partida, enquanto o radialista e também sobrevivente, Rafael Henzel, transmitia o jogo direto das tribunas do estádio espanhol. A outra celebração da noite ficou por conta do retorno de Alan Ruschel aos gramados, exatos 252 dias após o trágico acidente. E não havia ocasião melhor para voltar a campo. Como capitão, por 35 minutos, Alan pôde disputar a partida com seus novos companheiros de equipe, até o momento da aguardada substituição, quando foi ovacionado por todo o estádio e deixou o campo com a certeza e a sensação de que havia renascido. O Camp Nou celebrava a vida de Ruschel, Neto, Follman, Henzel e, principalmente, a vida da Chapecoense.

    Alan Ruschel foi um dos personagens do espetáculo.

    Pelo abismo técnico entre as equipes, já era esperado que o Barcelona conseguisse passar com facilidade pelos catarinenses. Logo aos cinco minutos de jogo, os espanhóis abriram o placar em bela jogada de Rakitic, que terminou com o gol de Deulofeu. O placar foi ampliado com mais um belo gol, dessa vez de Busquets, acertando lindo chute de fora da área. Em momento raro no jogo, a Chapecoense conseguiu levar perigo ao gol catalão, num chute de Wellington Paulista, que acabou sendo um dos mais participativos no jogo, auxiliando também na defesa. Junto do atacante catarinense, também se destacou o goleiro, Elias, responsável por parar Messi, Rakitic e Suarez em algumas ocasiões. No entanto, após algumas tentativas, o astro argentino conseguiu passar pelo arqueiro e o Barcelona foi para o intervalo com 3 a 0 no placar. E ainda assim, nada disso parecia importar. E realmente não importava.

    O segundo tempo ficou marcado por várias substituições de um Barcelona que pareceu tirar o pé, em forma de respeito ao adversário, apesar de ainda ter ampliado o placar por mais duas vezes, com o uruguaio Suarez e, por fim, com o meio-campista Denis Suárez. Tivemos ainda o folclórico jogador da Chape, Apodi, aplicando lençóis (isso mesmo, no plural) no lateral catalão, Jordi Alba, além do goleiro Artur Moraes, que entrou na segunda etapa e defendeu um pênalti cobrado por Paco Alcácer.

    A partida acabou em 5 a 0 para os espanhóis, mas o resultado foi apenas um mero coadjuvante em um espetáculo que se desenhou inesquecível desde o primeiro minuto. O dia 07 de agosto de 2017 será lembrado como o dia em que o futebol celebrou a vida, sem esquecer dos que se foram e abraçando os que ficaram. Um dia que está eternizado e que agora faz parte da história da Chapecoense. Uma história que começou incrível, passou pelo pior dos momentos e agora é narrativa de renascimento no futebol e na vida. Uma história e um clube que se fazem inesquecíveis dia após dia, não só pelos dias de luta, mas também por dias como esse, em que o resultado final deu lugar à celebração mais importante e merecida: a festa era pela vida dos sobreviventes que ali estavam e também por 71 pessoas que, apesar da morte, se fizeram imortais, assim como as cores que defenderam e propagaram em vida.

    Viva a Chapecoense! Viva o futebol!

    O mundo jamais esquecerá essa foto.

    Postado por André Oliveira Estudante de História, torcedor são-paulino, clubista e corneteiro.