ÍCONES ALTERNATIVOS #28 – O Clockwork austríaco
20 de março de 2019
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Hoje o tema da vez é, sem modéstia, um dos melhores no fundamento passe longo, excelente no posicionamento e de grande habilidade técnica. Também ótimo defensivamente e ofensivamente, um dos volantes com melhor saída de bola que já existiu, extremamente completo.

Ernst Ocwirk nasceu em Viena em 7 de março de 1926. Na infância e juventude, tinha condições financeiras razoáveis e, além do futebol, adorava jogar handebol. Aos 12 anos, ingressou no pequeno FC Stadlau e lá permaneceu até 1942, quando foi jogar no Florisdorfer, um time médio da Áustria. No primeiro ano no lá, Ocwirk atuou como centroavante. Obteve destaque, mas não tanto. Em 1943, a equipe estava carente de jogadores na posição de mediocampista e Ernst foi testado lá. O resultado foi excelente e imediatamente ele se tornou um dos melhores jogadores do país.

Josef Smistik (ex- jogador austríaco que fez parte do chamado “WunderTeam” e jogou no Rapid Wien) viu imediatamente todo o potencial que Ocwirk tinha no meio-campo e por isso buscou manter contato com ele. Smistik foi fundamental para a carreira de Ocwirk, isso porque insistia para ele converter-se em meio-campo, pedido este que foi aceito. Ocwirk cada vez mostrava mais talento na nova posição, porém, em 1943/44 e 45, Ocwirk viu seu time ser batido pelo First Wien na disputa da Gauliga Ostmark (campeonato que contava com todos times austriacos e era uma das 20 qualificatórias para o forte campeonato alemão).

Mesmo com o domínio do First Wien, Ocwirk seguia sendo um dos melhores jogadores do país, o que fez com que em 1945 fosse convocado pela primeira vez para defender sua seleção contra a Hungria, no primeiro jogo da seleção no pós-guerra. Desde então, todos os clubes austríacos queriam ter Ernst Ocwirk. O mais cotado era o Rapid Wien, que, além de ser um dos maiores times do país até então, era fortemente recomendado por Josef Smitisk.

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O Rapid quase teve os talentos do craque pra si, mas o destino não quis assim.

A temporada 45-46 marcou o retorno da liga austríaca independente da liga alemã, porém, o Florisdorfer já não era mais o mesmo e conseguiu apenas um 7º lugar. Em 46-47, pouco mudou, desta vez conquistou um 5º lugar. Ao final da temporada, o Austria Wien (rival do Rapid Wien, clube recomendado por Smistik) se movimentou em busca da contratação do volante e, ao prometer ajuda ao Florisdorfer na reforma do seu estádio, o clube se viu obrigado a aceitar a proposta de transferência.

Em sua primeira temporada no novo clube, Ocwirk seguiu com suas ótimas atuações e o clube teve uma evolução de desempenho, porém, mesmo ganhando a copa nacional, viu o campeonato austríaco ficar com o Rapid Wien. Em 1948-49 e 1949-50 enfim vieram as atuações mágicas de Ocwirk, total domínio do meio-campo, lançamentos e passes brilhantes fizeram com que o Austria Wien vencesse as duas ligas nacionais e as duas copas, batendo seu rival. Perdendo o caneco nos dois anos seguintes para o seu algoz, novamente.

Em 52-53, o Austria Wien não teve muitas mudanças. Mas sua principal estrela vivia seu auge. O “clockwork” brilhou e muito. Foi, de longe, o protagonista do time que conquistou 45 de 52 pontos disputados na temporada, tendo apenas 2 derrotas em 26 jogos. Foi um período, que, sem dúvidas, dava esperança aos austríacos para a Copa do Mundo que vinha a seguir.

Em 1954 a boa seleção austriaca acabou com o 3º lugar e protagonizou um dos mais marcantes jogos da história das Copas ao vencer a Suiça por 7×5, virando o jogo no 1º tempo após sair perdendo por 3×0. Mas, após essa partida desgastante, a Austria, sem o seu goleiro titular acabou sendo eliminada pela futura campeã Alemanha pelo placar de 6×1, tomando 5 dos 6 gols na segunda etapa. Ocwirk foi o capitão e principal jogador da Áustria ao lado de Probst. O craque marcou 2 gols na competição e foi escalado no Best XI da Copa do Mundo, sendo o único jogador austríaco além de Sindelar a conseguir tal feito.

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A seleção estava bem servida.

Depois do destaque internacional, Ocwirk foi cobiçado por times de outros países. Então, em 1956 assinou com a Sampdoria. Na Itália, o austríaco atuava mais avançado, como um meia-atacante. Apesar de já estar com 30 anos, teve uma excelente passagem que o consagrou como um dos melhores da época. E, mesmo jogando em um time não muito bom e em um campeonato cheio de craques, Ernst sempre teve destaque, ficando 1 vez no Best XI do Calcio; a melhor posição da Sampdoria no período foi um 4º lugar. O meia era adorado pela torcida e atuava em um grande centro, mas não era mais convocado pra defender a Áustria pela dificuldade de observação da equipe técnica. E, por isso, em 1961, aos 35 anos, decidiu voltar ao Austria Wien para a festa da torcida Die Veilchen.

Em sua volta a Austria, Ocwirk seguiu jogando em bom nível e foi importante na conquista do campeonato austríaco e da copa austríaca de 1961-62. Porém, em 1962-63, já em claro declínio fisico, decidiu encerrar a carreira com outro doblete, aos 37 anos. Nestas 2 temporadas ele disputou a Champions League, sendo eliminado as 2 vezes nas Oitavas de Final, primeiro para o futuro campeão, o Benfica de Eusébio e depois para o Reims, de Raymond Kopa.

Depois da aposentadoria, imediatamente virou técnico da Sampdoria, sem muito sucesso. O clube não vivia bom momento e o técnico teve que se contentar a não ser rebaixado nos 3 anos que comandou o clube.
De 1965 à 1970, comandou o Austria Wien, seu clube do coração, e conquistou 3 campeonatos nacionais (um desses 3 campeonatos nacionais, foi decidido no CARA OU COROA). Já em 1970 assumiu o Koln, lá conseguiu alcançar uma final de copa nacional, perdida para o Bayern na prorrogação.

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Como técnico, destaques esporádicos. (Ernst a direita)

Infelizmente, em 23 de janeiro de 1980, aos 53 anos, Ernst Ocwirk faleceu vitima de Esclerose Múltipla. Coincidentemente, há exatos 41 anos falecia Matthias Sindelar, o melhor aústriaco de todos os tempos.

Postado por Lucas Sordi Primeiramente, fanático pelo Grêmio. Sou estudante, tenho 16 anos e moro em Nova Bassano, interior do Rio Grande do Sul. Além do Grêmio, sou apaixonado pelo Manchester United, pelo Napoli, por futebol europeu e por futebol antigo, principalmente o dos 60 primeiros anos do século XX.