ÍCONES ALTERNATIVOS #26 – O goleador Bafana Bafana
27 de setembro de 2018
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Com certeza um dos atacantes mais importantes do continente africano, Benni McCarthy poderia ter sido muito mais, pelo que seu futebol prometia quando jovem e, embora não tenha alcançado sua capacidade máxima, marcou os torcedores portistas e sul africanos. Nascido em Cape Town, o jogador começou sua carreira profissional no Seven Stars, com 18 anos de idade. Se destacando facilmente, atraiu a atenção de um dos maiores captadores de promessas da Europa inteira, o Ajax.

Na Holanda ele não durou muito tempo, com apenas dois anos de casa foi vendido para o Celta de Vigo por seis milhões de libras, na época, o valor mais alto já pago por um sul africano em toda a história do futebol. Entretanto uma das características mais marcantes negativamente na carreira do atacante, começava a dar o ar da graça. Sua irregularidade em campo. Além disso,  problemas com o treinador Victor Fernandez (o qual o jogador posteriormente deu uma declaração dizendo que preferia parar de jogar a ser comandado por ele novamente) começaram a ameaçar a permanência de McCarthy no clube. Logo o Celta o emprestou para o Porto.

E foi aí que começou a acontecer a magia. Na sua primeira passagem, uma avalanche, 12 gols em 11 jogos e terceiro lugar da liga garantido, Benni tinha achado o seu lugar enfim. Porém como nem tudo são flores, o clube português não tinha como pagar o passe do atleta naquele momento e mesmo com o jogador demonstrando desejo de permanecer no estádio do dragão, teve de voltar para a Espanha. O casamento foi adiado por um ano, quando em 2003, com a venda de Helder Postiga ao Tottenham, o Porto consegue finalmente trazer em definitivo o seu objeto de desejo.

A decisão não poderia ter sido melhor. Benni foi peça chave e um dos líderes daquele grupo vencedor, com seus gols e assistências, se tornou a arma mais mortal da liga portuguesa, foram 20 gols em 23 jogos, o homem estava voando em campo. Não satisfeito em vencer um nacional, McCarthy foi buscar o continente. Foi decisivo na conquista da última Champions League conquistada pelos nossos colonizadores, com quatro gols, dois deles contra o todo poderoso Manchester United. O atacante se eternizava na história portista e de seu país, visto que até hoje é o único sul africano a ganhar uma UCL na carreira.

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Repare no Carlos Alberto ao fundo.

Muito do seu sucesso em terras portuguesas se deve à José Mourinho, técnico do clube na época. Ídolo e inspiração para o atacante, Benni nunca escondeu sua admiração pelo treinador, como nesta declaração que ele deu em uma entrevista ao site português MaisFutebol, quando perguntado sobre o que Mourinho teria de tão especial: ”Sempre que íamos para fora e ficávamos num hotel, já sabíamos que a determinada altura o Mourinho ia bater à porta e pedir para entrar. Fazia sempre isso, visitava todos os quartos e falava conosco. Não só sobre futebol. Queria saber tudo de nós, da nossa família. Naquela altura eu valorizei muito isso, porque antes os meus treinadores não queriam saber disso. É por isso que os jogadores estavam dispostos a morrer pelo Mourinho.”

Quando o Porto perdeu o seu mentor para o Chelsea, McCarthy logo demonstrou interesse em ir para a Inglaterra, chegou a ser sondado pelo próprio Chelsea (que acenou com uma proposta de pouco mais que 8 milhões de libras) e pelo Everton (que buscava um substituto para Rooney, vendido ao United), porém nenhuma das tratativas progrediu. Para completar o inferno astral, adivinhem quem o Porto contratou de técnico algum tempo depois? Sim, Victor Fernandez, aquele mesmo.

Desmotivado e agora desvalorizado, o atacante conseguiu ir para a Inglaterra, mas o destino foi o Blackburn (na época, na primeira divisão). Por lá, viveu uma série de altos e baixos, figurou no banco e teve de lidar com algumas lesões, já não era mais o mesmo. No final das contas, obteve um saldo bom no seu primeiro clube na terra da rainha, embora talvez não tenha deixado tantas saudades para o torcedor após ir jogar no West Ham por conta da alta concorrência no ataque do Blackburn (que contava com Roque Santa Cruz, Fowler e Jason Roberts).

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Um dos bons momentos.

Com os Hammers foram dias muito difíceis, lesões e problemas com a balança levaram o jogador a atuar pouquíssimas vezes e por consequência, não foi convocado pelo Parreira para a seleção sul africana para a Copa sediada em seu país natal, o tema ganhou as manchetes do país na época.

Benni então voltou para a Africa do Sul, para atuar em um dos maiores clubes de lá, o Orlando Pirates. Com um futebol de bom nível para os padrões da liga doméstica, o jogador ajudou seu clube a ganhar a liga nacional daquele ano (2011/12) e de quebra, ilustrou sua prateleira com um título grande no país que o concebeu, coisa que faltava a McCarthy. Pouco mais de um ano depois, ele encerra sua carreira, aos 35 anos.

O jogador terminou como o maior artilheiro da história da seleção sul africana, com mais de 30 gols vestindo a camisa do seu país. Foram duas Copas com os Bafana Bafana, sem nenhum resultado muito expressivo, duas eliminações na fase de grupos.

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Ele fez o que pôde pela seleção.

Campeão em três países diferentes e um dos maiores nomes do século no esporte da África do Sul, apesar dos pesares, Benni conquistou o respeito de uma nação inteira.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.