ÍCONES ALTERNATIVOS #24 – O primeiro viking
4 de maio de 2018

 

 

A Islândia vive um momento incrivelmente mágico no futebol. Seguindo a trilha de sucesso alcançada na Eurocopa de 2016, a pequena ilha nórdica de pouco mais de 300 mil habitantes se classificou de forma histórica para a Copa do Mundo, mas antes de falarmos da histórica aventura de Sigurdsson, Bjarnasson e companhia, e antes mesmo de falar dos craques do passado, como Ásgeir Sigurvinsson e Eiður Guðjohnsen, precisamos falar de um dos grandes percursores do futebol islandês, Albert Gudmundsson, o primeiro jogador profissional do país.

Albert nasceu em 1923, em Reykjavík, capital da Islândia, e com 15 anos começou a jogar em um dos clubes locais, o Valur, com o qual venceu o campeonato nacional por 5 vezes, sendo importante ressaltar que o futebol ainda era amador no país, tendo a primeira edição do torneio nacional acontecido em 1912, com apenas três times. Em 1944, com a Segunda Guerra Mundial já perto do final, Gudmundsson rumou para a Escócia, a fim de estudar no Skerry’s College, em Glasgow, e tendo então começado a atuar no Rangers, onde permaneceu por dois anos antes de chamar a atenção de dirigentes dos londrinos do Arsenal, que levaram o meia pra Inglaterra ainda como amador.

Na Inglaterra, foi somente o segundo jogador estrangeiro da história dos Gunners, e  jogando como amador, disputou uma série de amistosos pelo clube de Londres, estreando no dia 2 de Outubro num jogo contra o Sparta Praga, terminado em 2-2. Atuou também em dois jogos de liga, na vitória em casa por 1-0 sobre o Stoke City, em 19 de Outubro de 1946, e na derrota por 2-1 para o Chelsea, fora, no dia 26 do mesmo mês. Apesar de sua vontade de permanecer no clube, era impossível para Albert conseguir um visto de trabalho na Inglaterra, e dessa forma, atuar como profissional, e ele então acabou fazendo sua última partida pelo clube em um amistoso anual contra o Racing Paris, em novembro de 1946. Foi justamente nesse amistoso que o islandês despertou o interesse do futebol francês, e na temporada 1947/48, rumou para o Nancy, da primeira divisão francesa, onde foi o artilheiro da equipe que acabou no meio da tabela de um campeonato que contava com nomes como Jean Baratte e Larbi Benbarek.

Ficou apenas uma temporada no clube, rumando no ano seguinte para o AC Milan, da Itália, onde teve sua carreira no mais alto nível encerrada de forma abrupta por uma lesão no joelho em um jogo contra a Lazio, precisando de intervenção cirúrgica. Os médicos da Internazionale, grande rival do Milan, se ofereceram para ajudar na operação, mas o clube de Albert considerou muito arriscado e a história acabou com o jogador desvencilhando-se do clube e pagando ele mesmo pela operação, que foi um sucesso, permitindo que o atleta retornasse aos gramados, dessa vez pelo Racing Paris. Permaneceu na equipe durante três temporadas, tendo registrado bons números e defendido ainda o Nice, na sua última temporada na França antes de voltar ao seu país natal e aposentar-se no Valur, em 1956.

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Precursor no seu país.

O legado de Albert Gudmundsson para o futebol islandês é enorme. Em 1967, recebeu a medalha de prata da KSÍ(federação islandesa de futebol), por seus trabalhos com o esporte, assumiu o cargo de presidente da federação no ano seguinte e permanecendo até 1973, quando recebeu a medalha de ouro. Estabeleceu ainda uma carreira política sólida, tendo concorrido a presidente da Islândia em 1980, mas sendo derrotado e ocupado os cargos de Ministro das Finanças e da Indústria no país, entre 1983 e 1989, quando retornou a França para atuar como embaixador de seu país, ficando no cargo até 1993, um ano antes de sua morte.

Em 2016, em um comercial de uma companhia aérea islandesa que ficou mundialmente famoso(comercial dirigido pelo goleiro da seleção, Hannes Halldorsson), foi lembrado logo no começo do vídeo, em que é retratada sua chegada ao Arsenal:

O legado de Albert continuou, inclusive, a partir de seu sangue. Seu filho, Ingi Bjorn Albertsson, manteve o recorde de maior artilheiro da história do campeonato islandês entre 1987 e 2012, enquanto sua neta (filha de Ingi), Kristbjorg Ingadóttir, foi jogadora da seleção feminina  do país, casando-se com o também jogador e hoje comentarista de TV, Gudmundor Benediktsson e tendo um filho, também nomeado Albert (e assim, Albert Gudmundsson, filho de Gudmund), que é hoje uma das maiores promessas do futebol islandês, atuando pelo PSV Eindhoven e já tendo atuado e marcado pela seleção nacional, contabilizando 4 gerações da família a realizar esse feito.

Em 2010, a KSÍ homenageou Albert com uma estátua, pelos serviços prestados tanto como jogador quanto como administrador, posicionada em frente ao prédio da federação. Na imagem, podemos ver o jovem bisneto do ex-jogador.

Fotão!

Sem dúvidas um nome singular na história do futebol islandês, Albert Gudmundsson será sempre uma inspiração para as atuais e futuras gerações do país, que não cansam de escrever páginas heroicas de uma história que começou, tantos anos atrás, com o primeiro Viking.

Postado por Bernardo Dornela 18 anos, nascido e criado em Belo Horizonte e atleticano desde o berço. Com o tempo tornou-se também um fã do Liverpool e do Portimonense, de Portugal. Apaixonado por tudo que há de alternativo no futebol, em especial o praticado nos países nórdicos.