ÍCONES ALTERNATIVOS #22 – O Maestro
1 de março de 2018

 

 

Felipe é um nome bastante comum aqui no Brasil, e no futebol não é diferente. Felipe Melo, Felipe Bastos, Felipe (goleiro), Felipe Vizeu, Felipe Menezes e até derivados como Fellype Gabriel, Philipe Coutinho e Filipe Luís mostram como é normal aparecerem jogadores com esse nome.

São tantos que quando falamos do jogador Felipe, é preciso especificar qual. Com o tema de hoje, a especificação era clara e característica a seu estilo de jogo, era inconfundível, Felipe Maestro.

Felipe Jorge Loureiro é natural do Rio de Janeiro e começou a jogar futebol pelo Vasco da Gama, clube no qual foi revelado para o esporte. Em 1996 o atleta estreia pelos profissionais do time cruzmaltino, porém ainda não era conhecido pelo seu apelido, até porque sua posição de base era a lateral esquerda, como foi no profissional por um bom tempo.

Logo no ano seguinte, o então lateral já obteve rendimento excepcional. Parte do time histórico vascaíno que viria a conquistar tudo nos anos seguintes, o jogador mostrou a que veio e mesmo que fosse sombra do astro da franquia, Edmundo, já era naquela altura um dos melhores laterais esquerdos do Brasil a época. Foi campeão brasileiro em 1997 derrotando o belíssimo time do Palmeiras na final.

Mesmo como um jogador em tese defensivo, Felipe mostrava um talento descomunal com a bola do pé. Passes improváveis, dribles geniais, o próprio toque na bola que ele tinha, era diferente dos demais. O jogador transpirava habilidade e isso era muito nítido, houveram poucos jogadores de defesa mais técnicos que ele. Em 1998 o Vasco é campeão da américa pela primeira vez e Felipe entra para a história do clube, sendo eleito para o time ideal da américa do sul com apenas 21 anos.

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Um time de fato memorável.

No Mundial de Clubes o lateral se apresenta ao mundo, contra o melhor time europeu da época, o Real Madrid, Felipe atua de forma impecável, deixando o lateral do clube merengue (Panucci) completamente desnorteado. O jogador cruzmaltino foi eleito o melhor atleta do Vasco naquela partida, mas o clube carioca infelizmente foi derrotado pelos espanhóis.

Já visto como uma referência na posição, o lateral é convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira, que era comandada por Vanderlei Luxemburgo. Desde esta época já era cogitada a vinda do jogador para o meio campo, porém, devido a grande concorrência neste setor no elenco vascaíno, isso ainda não havia acontecido.

Felipe fez um bom ano de 1999, mas em 2000 o lateral acaba sofrendo uma lesão séria e volta depois de três meses. Retorna no banco e desmotivado, sendo emprestado para o Palmeiras. Ficou pouquíssimo tempo no Palestra e logo foi a Minas, jogar pelo Atlético Mineiro. Com outra passagem apagada, retorna ao Vasco em 2002.

Desta vez com a camisa 10, o agora ex-lateral esquerdo volta a apresentar um futebol vistoso e desata todo o seu potencial, tinha enfim se encontrado novamente. Chamou tanta atenção, que logo a Europa encheu os olhos, assim, o Galatasaray-TUR contrata o meio campo. Na Turquia, havia a esperança de que a passagem do meia fosse servir de trampolim para catapultar o jogador a um clube de maior expressão. Entretanto, uma inadimplência do clube turco acaba forçando o jogador a romper o seu contrato via FIFA, voltando ao Brasil um ano depois para atuar no arquirrival do seu clube formador, o Flamengo.

Na gávea, Felipe já chegou assumindo o papel de ás do plantel. Embora o time do Flamengo como um todo não colaborasse para que o clube lutasse por títulos, o que Felipe mostrou foi um misto de genialidade com magia que ecoa na cabeça dos rubro negros até hoje. Em dias inspirados, o jogador fazia chover, era lindo de ver os cortes secos e as batidas colocadas, Felipe foi o alicerce daquele time por alguns anos.

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Agora como meio campo, Felipe impressionou.

Mesmo com um elenco limitado, conseguiu por duas vezes chegar na final da Copa do Brasil, tendo perdido as duas, para o Cruzeiro e Santo André, respectivamente. Felipe que era bastante cobrado nos momentos de crise, chegou a ser convocado para disputar a Copa América de 2004, da qual se sagrou campeão.

O atleta viveu uma realidade que ainda não havia sentido na pele naquele ano, a intensa briga contra o rebaixamento até as últimas rodadas. 2004 foi um ano onde quase tudo deu errado para o Flamengo, que chegou na última rodada do Brasileirão com chances de cair para a segunda divisão. Com um show do seu camisa 10, o clube vence o Cruzeiro por 6×2 e espanta o fantasma do rebaixamento.

Felipe então se transfere para o Fluminense, por onde teve uma rápida passagem e, após alguns atritos, assina com o Al-Saad. No Qatar, se tornou ídolo e até hoje é considerado o melhor estrangeiro da história a vestir a camisa do Saad, além de ter ganho diversos títulos coletivos e individuais.

Em 2010 o meia volta para onde tudo começou. Felipe chega ao Vasco e fica no gigante da colina até 2013. O jogador teve uma passagem cheia de altos e baixos, o principal destaque fica para o título carioca e o da Copa do Brasil, com essas honras, Felipe alcançou a marca de ser o jogador a conquistar mais títulos com a camisa do Vasco em toda a história, recorde que se mantém até os dias de hoje.

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Lenda!

Fez a temporada de 2013 pelo Fluminense e se aposentou em 2014 com 36 anos.

Vale lembrar que sua passagem na Europa poderia ter sido mais marcante, em 1999 a Roma chegou a pagar 22 milhões de dólares pelo passe do então lateral, um valor exorbitante para época. No entanto, o técnico do clube romano na época, Fabio Capello, recusou o jogador alegando que o mesmo não se adaptaria ao futebol italiano, a polêmica chegou na FIFA e o jogador ficou sem atuar por três meses esperando a resolução do imbróglio.

Felipe é um daqueles casos de jogador com um talento absurdamente maior que a média profissional, mas que por diversos motivos, não conseguiu deslanchar a nível mundial. Ficará lembrado para sempre como um dos jogadores mais habilidosos do futebol nos últimos anos.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.