ÍCONES ALTERNATIVOS #20 – O maior artilheiro que a Inglaterra já produziu
18 de setembro de 2017

 

Talvez você sequer tenha ouvido falar nele. Com um nome inglês padrão, um visual tipicamente britânico e um faro de gol absurdamente aguçado, este é Jimmy Greaves. Um dos maiores atacantes de todos os tempos.

Greaves começou sua carreira no Chelsea, onde já impressionava nas categorias inferiores pelo número de gols marcados. Foram 51 gols na temporada 55/56 e 122 gols na temporada 56/57. Foi, então, promovido ao elenco profissional em agosto de 1957, fazendo sua estreia na primeira divisão inglesa no dia 24 daquele mês, contra o Tottenham no saudoso White Hart Lane, ele tinha 17 anos.

Logo no início de sua trajetória no profissional, Jimmy já era alvo de comparações com Duncan Edwards, o pilar do lendário time do United que acabou se acidentando na tragédia de Munique. O inglês foi o artilheiro do Chelsea na sua primeira temporada completa como profissional (57/58), marcando nada mais nada menos que 22 gols em 37 jogos disputados.

Jimmy tinha intimidade com as redes.

Jimmy seguia impressionando, continuava a ser artilheiro de tudo que disputava pelos Blues, apesar do time não colaborar para que o talentoso jogador pudesse alçar títulos. Na temporada de 60/61, o atacante realizou três hattricks (3 gols na mesma partida), 2 pokers (4 gols na mesma partida) e um repoker (5 gols em uma partida). Ostenta o recorde de ser o jogador mais jovem da história a atingir 100 gols na primeira divisão inglesa, tendo chegado a marca com apenas 20 anos.

Porém, como foi dito acima, o time que o Chelsea tinha na época não permitia que Greaves postulasse títulos, fato que o incomodava bastante. Com uma defesa pouco sólida, por vezes os gols marcados pelo craque não eram o bastante para garantir os resultados. Portanto ao fim da temporada 60/61, o Chelsea entrou em acordo com o Milan, vendendo o astro do time para o clube italiano por 80 mil libras (altíssimo valor para a época).

O problema é que Jimmy relutava a sair de Londres, onde viveu toda a sua vida. O jogador tentou melar a própria negociação, Giuseppe Viani (manager do clube na época) bancou o fechamento do negócio até o fim. Entretanto, depois de 14 jogos e 9 gols anotados, Greaves consegue a tão sonhada volta a Londres, desta vez para defender o Tottenham – os Spurs pagaram 99,999 libras pelo astro. Valor incomum pelo fato de terem medo de fazer do atleta o primeiro jogador a custar 100 mil libras na história do futebol britânico, curioso.

Com o Tottenham as coisas continuaram a progredir, eram muitos gols marcados, uma média absurdamente alta. Embora os Spurs tivessem um time mais competitivo que o Chelsea, Jimmy ainda não conseguia conquistar títulos importantes, tendo vivido a sombra de esquadrões como os de Manchester United e Liverpool, embora estivesse sempre entre os primeiros. No seu retorno a Inglaterra, os únicos canecos expressivos que levantou foram os da FA Cup de 61/62 e 66/67 além das Supercopas e uma Recopa Europeia, o tão sonhado título de Liga não veio.

Londres era do astro inglês.

Com o passar das temporadas, naturalmente seu rendimento decaiu com a chegada da idade, em 1970 ele acabou sendo relegado ao time B do Tottenham após um mau rendimento nas partidas. Naquele mesmo ano acabou sendo negociado com o West Ham, onde foi envolvido na troca com Martin Peters, que se transferiu para o Spurs. Naquela época, Brian Clough também era um dos interessados no futebol do craque inglês, que, como não queria sair de Londres, optou pelos Hammers. Clough ganharia dois campeonatos europeus posteriormente.

Greaves já não era o mesmo, marcou apenas 13 gols em 40 partidas pelo West Ham. Após o fim de seu contrato, Jimmy ficou 2 anos sem entrar em campo, adquiriu problemas sérios de alcoolismo, inclusive sendo hospitalizado algumas vezes. Teve passagens pelas divisões inferiores da Inglaterra, com um breve destaque pelo Barnet, onde jogando no meio campo, foi um dos pilares do time. Encerrou sua carreira pelo semi-profissional Woodford Town em 1980.

Pelo English team, também colecionou gols e partidas memoráveis. Jogou a Copa de 62, onde sua seleção caiu para o Brasil, que veio a ser o campeão daquela edição. Em 66, ano do único título britânico da competição, Jimmy atuou em apenas três jogos pela fase de grupos, isso porque no jogo contra a França, acabou se lesionando e ficou fora do resto da competição já que seu substituto, Geoff Hurst, entrou tomando conta da posição. Coincidência ou não, após não conseguir estar em campo na final da Copa, seus problemas com álcool aumentaram consideravelmente.  Porém ainda sim, pode ser considerado campeão mundial (apesar da FIFA só fornecer a medalha para os 11 titulares na ocasião, Greaves ganhou seu exemplo em 2009). Pela seleção, tem a marca de 44 gols em 57 partidas, absurdo.

 

Após a aposentadoria, Jimmy Greaves se aventurou como colunista em jornais, comentarista de TV e até mesmo piloto de Rally.

Insinuante, mortal e o inglês mais matador de todos os tempos, Jimmy Greaves merecia mais títulos de expressão para que a grandeza se equiparasse a qualidade de seu futebol. Como eles não aconteceram, ficamos com os impressionantes números registrados e os relatos do que foi um dos maiores atacantes da história do futebol mundial.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.