ÍCONES ALTERNATIVOS #07 – O Abutre
23 de fevereiro de 2016

 

Veloz, ágil, habilidoso e mortal. Um atacante que hoje seria considerado moderno, mas que atuou na década de 80/90. Conheça o espanhol Emilio Butragueño.
Emilio nasceu em Madrid em 1963, como a grande maioria dos madrilenos, se viu imerso sobre a grande soberania de um dos maiores clube do planeta, o Real Madrid. Logo cedo despontou para o esporte e começou sua carreira no Castilla ou como popularmente é chamado, Real Madrid B. Por lá ficou durante dois anos, esperando o “amadurecimento” no time da segunda divisão espanhola, coisa que não demorou pra chegar. Já na segunda temporada, Butragueño foi o protagonista da equipe levando a mesma a conquista o título inédito da segunda divisão espanhola.
Percebendo seu enorme potencial, Alfredo Di Stéfano não demorou para o integrar a equipe principal do clube merengue.
Emilio de fato, provou estar maduro o suficiente para brilhar perante o mundo. Logo na estreia pela equipe principal no dia 15 de agosto de 1984, marcou dois gols e ainda deu assistência para outro na virada pra cima do Cádiz, fora de casa. O jogo terminou 3×2 para o Real Madrid, graças ao ainda jovem atacante.

 

Daí pra frente, o que já havia se anunciado acontece. Butragueño desanda a marcar gols e se consagra entre os melhores do mundo da época. Arisco, rápido e com um faro de gol impressionante, Emilio não dava chance a quem o marcava, seu tempo de bola aliado a sua conclusão apuradíssima tornava o tempo de reação do defensor praticamente inexistente.
O impressionante espanhol foi recompensado pela sua genialidade com títulos. Uma sequência de 5 títulos seguidos da La Liga, 2 copas do Rey, 4 supercopas da Espanha, além de duas copas da Uefa (atual Uefa Europa League). Além de todos esse troféus coletivos, Emilio ainda foi duas vezes seguidas bronze do Balon d’Or (86 e 87), ficando a frente de lendas como Lineker, Van Basten e Ian Rush.
Para termos ideia da magnitude que aquele Real Madrid tinha, o time foi batizado de “La Quinta del Buitre” ou “O quinteto do Abutre”. A nomenclatura é referente aos cinco jogadores que eram considerados os pilares do time de Madrid na época. São eles: Butragueño, Sanchís, Vázquez, Míchel e Pardeza.
Butragueño, Pardezza, Míchel, Sanchís e Vásquez
A origem do nome veio de um artigo publicado pelo jornal espanhol El País na coluna do jornalista Julio César Iglesias, que queria destacar um quinteto que na época ainda pertencia ao time B do Real Madrid (sim, são todos
crias da base merengue). Todos os 5 subiram ao time principal, uns mais cedo, outros mais tarde. Porém o quinteto do abutre já estava predestinado a mandar na Espanha desde cedo.
Butragueño, como não poderia deixar de ser, foi apelidado de “O Abutre”. Isso se deve ao fato do atacante ser o mais genial dos 5 integrantes do quinteto. Quinteto que infelizmente virou quarteto em 86, quando Pardeza acabou por trocar o clube madrileno pelo Zaragoza em meados de 1986. Entretanto, nada que impedisse a dinastia merengue na Espanha durante aquele período.
La quinta del Buitre até hoje ainda é comparada com os Galácticos que os sucederam anos depois com a camisa madrilena.  Alguns fãs dizem que o quinteto jogava com mais amor a camisa e menos dólares na conta. Já outros aficionados, preferem a grife galáctica que causou inveja no mundo futebolístico.
Mesmo depois de anos, ainda são lembrados
O grande calcanhar de Aquiles do time liderado por Butragueño, foi a tão sonhada conquista da Uefa Champions League, que infelizmente não veio enquanto o abutre jogava em Santiago Bernabeu. Tiveram que se contentar “apenas” com as duas copas da Uefa.
Emilio disputou duas copas com a seleção espanhola (86 e 90), com o time nacional o atacante tem a notável marca de ser o sexto maior artilheiro da história da fúria. A frente de Di Stéfano, por exemplo. Inclusive, o espanhol marcou 4 gols em uma só partida de copa do mundo, em cima da tão famosa Dinamarca de 86. O jogo terminou 5-1 para a Espanha. Ao fim da copa, Emilio se sagrou vice artilheiro da competição com 5 gols marcados.
A fúria caia muito bem nele!
Em 1995, Emilio enfim deixou o Real Madrid, pois estava surgindo um atacante jovem com apenas 17 anos que chamava a atenção de todos e precisava de espaço, um tal de Rául. Butragueño foi contratado junto ao Celaya do México, onde chegou a final da liga nacional, caindo para o timaço do Necaxa comandado por ninguém menos que o mexicano Alberto Garcia Aspe.
Em 1998 já com 35 anos, resolveu pendurar as chuteiras. Ao todo, Emilio marcou mais de 100 gols jogando durante 12 temporadas com a camisa do Real Madrid, além de ter atuado em mais de 300 jogos pelo clube merengue. Na carreira sua marca goleadora ultrapassa os 200 gols.
Curiosamente, Butragueño nunca recebeu um cartão vermelho durante sua carreira, é uma verdadeiro gentleman do relvado!
Nos dias de hoje, o atacante possui o cargo de diretor de futebol do clube em que se consagrou. Herdou este cargo de Jorge Valdano em 2004.
Um atacante moderno, decisivo e marcante. O comandante do quinteto dos abutres.








Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.