ÍCONES ALTERNATIVOS #03 – O malabarista Africano
13 de setembro de 2015
Augustine Azuka, provavelmente não lembra ninguém muito importante, mas são os dois primeiros nomes de um dos melhores dribladores que esse mundo já viu, “Jay Jay” Okocha. Okocha nasceu em 14 de Agosto de 1973 na cidade de Enugu, na Nigéria. O apelido Jay veio desde cedo, proveniente de seu irmão mais velho que se chamava James, o rapaz naturalmente começou a jogar bola antes, enquanto o irmão do meio Emmanuel ganhou o apelido de “Emma Jay” por conta de James, apelido esse que passou para Okocha posteriormente. Já sobre o outro Jay, dizem existir uma história sobre um técnico gago que acabou treinando o nigeriano no Paris Saint Germain e por conta de seu problema na fala pronunciava Jay-Jay ao invés de apenas Jay.
Jay teve uma infância bastante complicada como a maioria das pessoas que nascem na Nigéria, em uma entrevista para a BBC Sport o nigeriano afirmou que jogava futebol com qualquer coisa que aparecia, se fosse semelhante a uma bola era um bônus adicional, já que jogavam pelas ruas da cidade. Em 1990 começou a jogar no Enugu Rangers, um grande time da Nigéria, um dos únicos que nunca na história foi rebaixado no campeonato de lá inclusive, Okocha encantou com seus dribles plásticos, ficou claro que seu lugar era dentro dos gramados.
No final desse mesmo ano, ele esteve na Alemanha de férias, o país havia acabado de vencer a Copa do Mundo, Okocha então pediu a seu amigo Binebi Numa que na época jogava no Borussia Neunkirchen para lhe dar uma chance, Binebi o apresentou ao treinador, e em dois dias Okocha já assinava seu primeiro contrato com o clube da terceira divisão alemã, um ano depois chegou a integrar o elenco do 1.Fc Saarbrucken da segunda divisão alemã, porém ficou muito pouco tempo, transferindo-se logo depois para o notável Eintracht Frankfurt e consequentemente, ia jogar a primeira divisão do futebol alemão pela primeira vez.

Por lá continuou jogando muito bem, com suas boas atuações conquistou a torcida e seus companheiros de clube, em 93 ele fez o gol que ele mesmo classifica como um dos gols mais bonitos que já fez, contra o Karlsruhe que tinha nada mais nada menos que Oliver Kahn defendendo a meta, Jay-Jay gingou pros lados tirando o goleiro e alguns zagueiros da jogada e posteriormente chutando no canto direito do goleiro alemão, o gol foi tão épico que foi votado como o gol mais bonito do ano por inúmeras revistas conceituadas.

 

Porém como nem tudo são flores, em 1995 Okocha acabou tendo desavenças com o então técnico do clube Jupp Heynckes, ficou até o fim da temporada, entretanto com a queda do Eintracht para a segunda divisão em 1995, terminou indo para a Turquia jogar no Fenerbaçe em 1996.
Na Turquia encantou mais ainda, por lá em duas temporadas fez 30 gols em 60 jogos, número que para um meia é bastante notável, o apelo popular em cima do nigeriano era tanto que ele chegou a se naturalizar cidadão turco, seu nome por lá passou a ser Muhammet Yavuz , o estilo de jogo do nigeriano era encantador, plástico, lindo de ver, dribles rápidos com agilidade e um chute a gol de longa e média distancia que era espetacular, como o esperado, não durou muito tempo escondido na Turquia e foi contratado pela bagatela de 14 milhões de libras pelo PSG, na época foi o africano mais caro da história (hoje em dia esse título é do marfinense Bony, do City).

Pela França fez uma dupla memorável com Ronaldinho Gaúcho, não eram memoráveis por trazerem títulos ou por fazerem gols, eram memoráveis por fazerem do campo um futebol de rua com um jogo moleque e diferente, faziam a festa dos fotógrafos com aqueles dribles lindos, apesar de não terem jogado muitas partidas juntos.

 

Após a copa de 2002 foi de graça para a Inglaterra jogar a premier league pelo Bolton, por lá continuou indo bem, por onde passou foi carismático, tanto que a torcida fazia blusas pra ele que continha um trecho que citava “Jay-Jay, tão bom que precisa ser falado duas vezes”.
Pelo Bolton fez gols decisivos que livrou o time da degola em algumas campanhas, assumiu a faixa de capitão tendo assim que liderar o time em busca de algo maior e conseguiu um feito bastante notável para o patamar do Bolton, que foi a final da Copa da Liga em 2004, infelizmente perdeu a disputa e ficou com o vice campeonato. Deixou o clube em 2006 após problemas com dirigentes, recusou a extensão do contrato por mais um ano e foi jogar no Qatar.
Lá ficou uma temporada, depois teve uma passagem apagada pelo Hull City e acabou se aposentando.

Já pela seleção, venceu uma copa das nações e foi medalha de ouro nas olimpíadas de 96 (sim, aquele jogo do gol de ouro do Kanu contra o Brasil), entretanto fez parte de uma seleção que decepcionou o mundo em 98, quando contava com uma das melhores gerações de jogadores de um país africano na história, tinham jogadores como como Babayaro, Kanu, Finidi, Yekini, West, Babangida, Amokachi, Oliseh, além do próprio Okocha, podiam ir além das oitavas de final, perderam de 4-1 para a “Dinamáquina” dos irmãos Laudrup.

 

Após a Nigéria falhar em se classificar para a Copa do mundo de 2006, Okocha anunciou que se aposentaria após a Copa das Nações do Egito e assim foi, sua ultima partida pelo selecionável foi uma vitória contra a seleção Senegalesa, 2-1. Okocha foi ovacionado por mais de 60 mil pessoas presentes no estádio, chegou a jogar novamente com os Super Eagles mas nada além de um jogo “master”.
O principal diferencial de Okocha sempre foram seus dribles improváveis e seus malabares com a bola no pé, além de ser ambidestro, todos acharam que em algum momento da carreira do meio campista, ele iria se tornar pilar de um gigante europeu, porém isso nunca aconteceu, não por falta de futebol suficiente pra isso e sim porque Jay Jay nunca foi disciplinado taticamente, além de por vezes causar problemas no ambiente externo, seu estilo de jogo privilegiava muito mais a arte que o coletivo, de fato talvez não desse certo em um gigante da Europa.
Okocha além de ser nomeado por Pelé em 2004 como um dos melhores 125 jogadores vivos da história do futebol (o FIFA 100), foi eleito duas vezes seguidas o melhor africano do ano pela BBC além de ter sido 7 vezes o melhor nigeriano do ano. E ainda possui um estádio de capacidade pra 8 mil pessoas com o seu nome!
Atualmente com 42 anos, Okocha preside a Associação de futebol do estado de Delta na Nigéria, mas já manifestou desejo de presidir a federação nigeriana.
“Porque não? Quem sabe o que o futuro pode nos reservar?” Disse o craque em uma matéria publicada pelo Vanguard.
Jay Jay ainda mora em seu país de origem e dizem por ai que sua casa fica a alguns minutos de distância da casa do nosso algoz de 96, Kanu, daria pra ir andando.Veja abaixo um compilado de alguns dos melhores momentos do nigeriano.

 

Uma lenda viva do futebol africano, guardada as proporções,
é o Ronaldinho nigeriano.

 

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.