ÍCONES ALTERNATIVOS #01 – El Panzer
24 de julho de 2015
Inaugurando o primeiro post do Ícones Alternativos, onde falarei sobre jogadores praticamente desconhecidos do grande público e da grande mídia, porém, que possuem grandes feitos dentro de seu país ou até mesmo no futebol como um contexto geral, traremos o máximo de riqueza de dados possíveis, espero que gostem!
Vamos ao primeiro selecionado da série. O atacante nasceu em um bairro chamado Ell Chorrillo, região de classe baixa do Panamá famosa por pobreza e problemas sociais frequentes, seu nome é Rommel Fernández.
Rommel começou a jogar futebol profissionalmente pelo Alianza em 1985, (não, não é o Alianza Lima do Peru) um time médio da liga panamenha que possui um estádio acanhado com capacidade para quase mil pessoas e tradicionalmente veste verde e branco, ele atuou por lá por dois anos praticamente,  porém seus dados estatísticos como gols e assistências são inconclusivos e vagos, como alguém pode querer saber mais sobre o time, deixo para vocês o site oficial do clube.
Site oficial > http://alianzafc.net/
Com um futebol vistoso e ainda jovem, Rommel começou a ser convocado constantemente para a seleção panamenha, foi quando em 1986 a seleção foi a Espanha para disputar o Mundialito de la Emigracion, um torneio de caráter amistoso. As atuações de Rommel impressionaram os dirigentes do Tenerife, um time pequeno da segunda divisão espanhola, que assinou então um contrato com a jovem promessa panamenha, na época com 21 anos, fazendo com que o jogador fosse um dos primeiros panamenhos a atuar por um time europeu.
Em 1987-88 com o Tenerife, Rommel anotou sua melhor marca de gols em um ano, marcou 18 tentos e foi peça fundamental no acesso do clube a primeira divisão, fato que anteriormente só havia acontecido uma vez em toda a história do clube, para ter noção do quão decisivo ele foi, Rommel marcou em 14 partidas do Tenerife na liga, dentre essas o clube venceu 13 e empatou uma, ou seja, sempre que o garoto fazia um gol, o torcedor poderia ter a certeza de que o time não iria perder. Na temporada seguinte novamente chegou a marca de gols com dois dígitos (10) e ajudou a manter o clube das ilhas canárias na primeira divisão.
Na temporada de 1990-91 Rommel atuou tão bem que foi nomeado pela organização da liga o melhor ibero-americano do torneio, o rapaz anotou 13 gols ficando entre os artilheiros da liga, apenas 6 tentos atrás da lenda espanhola Emílio Butragueño, e com isso o Tenerife terminou apenas 7 pontos abaixo das posições que o classificariam para as copas europeias.
No ano seguinte o atacante se transferiu para o Valencia, almejando alcançar um patamar maior na carreira, entretanto o búlgaro Penev era o dono da posição em que ele iria atuar, conclusão: Rommel foi reserva por toda a
temporada praticamente, marcando apenas 2 gols, um deles contra o Tenerife, seu ex time.
Valencia, o maior clube da carreira do Panzer
Por falta de oportunidade, acabou sendo emprestado ao Albacete, clube que na época também pertencia a primeira divisão, por obra do destino, seu primeiro gol com a camisa do novo clube foi justamente contra o Tenerife (sim, de novo). Neste mesmo ano Rommel anotou seu primeiro hat trick na primeira divisão, El Panzer como era chamado, também marcou um dos gols mais rápidos de toda a história da La Liga, com 10 segundos contra o Cádiz.
E então, aconteceu o inesperado.
6 de março de 1993, voltando de um almoço com amigos e companheiros de time, Rommel acabou batendo com o seu Toyota Celica em uma árvore, com a batida sua cabeça se chocou contra o caule, o trauma acabou sendo fatal. Rommel Fernández morreu no auge de seus 27 anos, na época o acontecimento foi um baque para os dois países, (Espanha e Panamá) principalmente para o Panamá, que via ir embora de forma trágica o melhor atacante da história do país.
Pela sua seleção Rommel pouco pode fazer dentro de campo, disputou as eliminatórias para as copas de 90 e 94, sendo eliminado na fase preliminar de ambas as disputas, houveram algumas sanções da FIFA aplicadas ao Panamá porém a verdade é que dificilmente Rommel conseguiria levar o fraco time do Panamá a uma copa do mundo. Uma andorinha não faz verão.
O atacante deixou um número notável de gols, mais de 50 marcados por clubes espanhóis, além de como citado anteriormente, foi um jogador bastante decisivo.
O belo estádio que leva o nome de Rommel
Entendam, não se trata de um jogador brasileiro, italiano ou alemão, se trata de um jogador panamenho, conseguem ter noção do tamanho desse rapaz para o país dele? Ídolo em um clube europeu, destaque da primeira divisão de uma das ligas mais famosas do mundo, Rommel fez muito mais ao Panamá, muito mais que atuar, ele mostrou ao mundo que o país dele poderia sim produzir jogadores de calibre europeu, no Panamá Rommel deu nome a um estádio multiuso com capacidade para 32 mil pessoas (antes de sua morte o estádio se chamava Estádio Revolucion), além de disputa da terceira divisão panamenha levar o nome dele “Copa Rommel Fernández”.
Já na Espanha Rommel até hoje é lembrado por torcedores do Tenerife, abaixo uma das várias homenagens ao El Panze.

 

Rommel Fernández morreu cedo é verdade, mas a sua história viverá pra sempre.
Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.