• Guerra e paz
    11 de junho de 2017
    Categoria: Futebol e Nacional

     

    No início da temporada, o alviverde imponente foi um dos clubes que mais foi às compras (e parece que ainda não saiu do shopping). O já badalado elenco ficou ainda mais forte com os novos reforços. Felipe Melo, Borja, Michel Bastos, Keno, Willian e… Guerra. No entanto, o venezuelano, que havia sido o melhor jogador da Libertadores passada pelo campeão Atlético Nacional, chegou lesionado ao time paulista.

    Um pouco ofuscado pela contusão e pelas contratações do polêmico volante e do promissor centro-avante, Guerra não pôde reforçar o Palmeiras de imediato. Porém, com a lesão de Moisés, um dos pilares da conquista do Brasileiro passado e com certeza um dos xodós da torcida palestrina, a entrada de Alejandro tornou-se essencial.

    Logo nas primeiras partidas o meio-campista mostrou a que veio. Como todo sul-americano, provou ser aguerrido em campo. Sua raça faz jus ao nome. Sempre ajudou seu time nos jogos pelo torneio continental, que ganhavam contorno de desespero seguido de êxtase e loucura geral.

    Com a queda de rendimento do time, Guerra tomou a dianteira do Palmeiras. Seu estilo raçudo traz consistência à marcação ofensiva e o dinamismo exigido pelo futebol atual. No entanto, é a sua tranquilidade que surpreende. Sua lucidez no meio do caos permite que ele arquitete as poucas jogadas ofensivas de seu time. É um estrategista, um “cabeça-pensante”.

    Alejandro mostra que para vencer uma guerra, organização é fundamental. Coordenando todas as ações do time, povoando o território adversário, distribuindo o jogo com passes precisos, o meio-campo cada vez mais avança às linhas adversárias. Organização que tortura o adversário e faz com que ele cometa loucuras que antes não cometeria.

    Com uma tremenda facilidade de leitura de jogo, o venezuelano permite que seus companheiros de batalha avancem de acordo com o ritmo que ele mesmo dita. Prende a bola como poucos quando precisa, tem técnica para jogadas habilidosas e inteligência para saber os momentos em que não deve pentear demais a redonda e atrasar um possível ataque. Gengis Khan, Alexandre, O Grande e Bonaparte fazem reverência ao mestre da arte da conquista e do domínio. O lendário imperador romano Júlio César, representando o tricolor carioca, não foi páreo para o Maestro do meio-campo palmeirense neste sábado.

    Sábado esse que alivia a tensão de um time em crise. Após uma sequência de resultados ruins no campeonato, a vitória frente ao bom Fluminense faz florescer novamente o verde da esperança. Esperança de uma nova arrancada, de resultados positivos, de um torneio regular e de uma melhora no futebol apresentado daqui para frente.

    Para isso, o Maestro Alejandro provou, com sua música clássica, que a calma e a paciência são elementos letais. Para triunfar nessa longa batalha de Brasileiro e Libertadores e dar sorriso ao torcedor alviverde no final do ano, o Palmeiras precisa de mais leveza, tranquilidade. Assim, a Paz do palmeirense passa por Guerra.

    Postado por Gustavo Borges de Oliveira Fanático por leitura, amante de filosofia, admirador de cinema e música. Além de tudo, um apaixonado pela beleza do futebol.