• Frios e obstinados: a Islândia impressiona
    16 de junho de 2018
    Categoria: Seleções
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    Precisão, intensidade, frieza e equilíbrio, a Islândia mostrou uma face séria, quase sem piscar. Olhou dentro dos olhos da Argentina, nariz com nariz, o olhar se manteve firme. Messi amedrontou os melhores jogadores do mundo, aterrorizou os sistemas defensivos que mais se destacam na atualidade, mas aqueles caras não.

    Os argentinos, quase por instinto, – ou por possuir uma defesa ridícula – abafaram por quase 90 minutos a seleção europeia. Di Maria, Meza, Biglia, Tagliafrico e Banega tentaram, Aguero conseguiu, precisou de apenas um lance. Finnbogason também, o olhar se manteve sério.

    Com o passar dos minutos, identificava-se uma mística aura naquele time de branco, que não sentia medo, pareciam, na verdade, não saber o que é isso. Defesa, defesa, defesa! O olhar do mundo sequer conseguia acompanhar os botes precisos dos zagueiros. Virilidade exagerada as vezes, sempre duros, a natureza islandesa é truculenta. E talvez por isso a Argentina não tenha conseguido nenhuma vez, olhar de cima pra baixo.

    A camisa começava a pesar, pesou tanto que fez Messi perder o pênalti que deixaria a seleção sul americana na frente. Halldórsson, o homem do jogo, pegou e se manteve sério. Da arquibancada se ouviam palmas pausadas, aquelas que se ouviam na Europa algum tempo atrás, elas agora eram mostradas nas quatro partes do mundo. Atônitos, via-se a incerteza em cada passe da Argentina, a bola viajava de um lado para o outro, flutuava de pé em pé, pareciam não saber o que fazer.

    Pelos lados, travados. O meio estava congestionado, chutes a longa distância não tinham direção e quando parecia que ia dar, não dava. A Islândia se defendia com uma obstinação impressionante, a precisão nos cortes e a calma para acompanhar a movimentação frenética dos hermanos deixava até mesmo a torcida pasma. O olhar se manteve sério.

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    Islandeses comemoram o gol.

    O aguardado desespero islandês frente ao poderio argentino mudou de lado. Messi provava sua inquietude lance após lance, Banega não conseguia esconder sua afobação, houveram momentos em que se percebia medo de arriscar. Poucas vezes vimos o time que pressiona, ter medo do pressionado.

    Ao fim do jogo, percebíamos claramente a decepção e o nervosismo no olhar dos argentinos. Do outro lado, calmamente, os jogadores caminhavam frios, porém pulsantes, para mais uma rodada de palmas pausadas. O olhar se manteve sério e quem tanto fez tremer, tremeu.

    Postado por Renan Castro Jovem de 22 anos, formando em administração, torcedor do Flamengo, natural do Rio de Janeiro e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.