Europa 2018/19: a intensidade, o inesperado e a arte
19 de maio de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

 

Europa, 2018/2019. O que nos diz o velho continente? A insanidade de Erdogan? A palhaçada do Brexit? As insatisfações dos coletes amarelos? O que nos diz o velho continente? Diz sobre igrejas pegando fogo? Avanço de figuras controversas a chefia de estados estratégicos no mundo? A crise dos refugiados? Talvez tudo isso. Mas o que grita mais alto deste conglomerado de países de tradições milenares, é uma mesma língua, por incrível que pareça. Um código universal, que reúne quase todas as nações. O Futebol, the football, das fußball, le football, il calcio!

Com certeza, essa temporada europeia não nos deixa despertencidos. Não foi uma temporada em que as pessoas não se posicionaram. Alegrias, tristezas, belezas, amores, ódio, força, fraqueza, sutileza, injustiças… tudo. Tudo com a intensidade que esses tempos pedem. Com a fugacidade que as pessoas vivem, mas também com a emoção que o corpo anseia.

Três histórias precisam ser contadas.

INGLATERRA – A intensidade

O que dizer da loucura do Heavy Metal de Klopp, contra a sinfonia de Guardiola? Das grandes disputas da história recente da Premier League, os azuis e os vermelhos nos presentearam com alternâncias de liderança todos os finais de semana. Salah, Mané, Firmino, Van Dijk. Sterling, Aguero, Kompany, e Bernardo Silva. O sonho de um time 30 anos sem sentir o gosto da glória maior na ilha da rainha, contra o trabalho construído por um arquiteto careca da bola. Venceram os Azuis, e sua maravilhosa arrancada com 15 vitórias nos últimos 15 jogos. Revertendo uma vantagem de 10 pontos. Icônico.

Na capital da terra da coroa, o pássaro gritou. E cantou um samba, e depois um tango. Os Spurs de Lucas Moura e Pochettino alçam o voo mais alto de sua tradicional história. Contando com um belo toque de América Latina e Ásia, o time de ninho novo vai à Espanha disputar o apogeu da Europa. Puseram fim ao sonho dos meninos que sonham alto nos países baixos. E se colocarão de frente ao império maluco construído todos os jogos por Alisson e Van Dijk. A final dos sonhos de todo aficionado por Premier League.

Como se não bastasse o embate entre dois ingleses na maior das festas, mais dois decidem garantir vaga em outra bem interessante. Chelsea e Arsenal, também o azul contra o vermelho. Uma das coisas mais bonitas deste embate é o quanto o destino foi leal a Petr Cech. Um dos maiores ídolos dos Blues, fará o seu último jogo como profissional atuando pelo Arsenal. Incrível. Lindo. Digno.

A Inglaterra no centro das atenções. Eles adoram.

Ribery, Robben e Rafinha se despedem de Munique com o hepta

ALEMANHA – O inesperado

Já, na terra dos bávaros, a cerveja fechou com chave de ouro outra grande temporada. Escondidos por campanhas tímidas em competições europeias, Borussia Dortmund e Bayern De Munique disputaram ponto a ponto o dourado da República de Weimar. Após um início digno de uma grande epopeia litrária, Jadon Sancho-Pança carregou junto com Dom Quixote Alcácer os guerreiros de Dortmund,  destruindo os moinhos-dragões da antiga Prússia . Mas, após o revés na Champions, os Dragões da Baviera tomaram de assalto os pobres guerreiros, que não imaginavam encontrar Dragões de verdade no meio da peleja. Foram surpreendidos. Típico. E para citar Victor Hugo,  O corcunda de Notre-Damme, triste com o que aconteceu em sua casa, finalizou sua passagem pela Alemanha com uma obra prima. Ribery se despede para ajudar a reconstruir seu lar.

Ainda em Weimar, os Frankfurtianos decidiram mostrar sua cara ao mundo. Jovic, já empossado por Zidane e seus meninos, fez temporada impressionante, e vale ser lembrado.

OS MENINOS DA HOLANDA – A arte

David Neres, Tadic, De Jong, De Beek, De Ligt, Ziyech, os talentosos artistas que impressionam tal qual Van Gogh. Os meninos, organizados por Erik Ten Hag despertaram no mundo as delícias de se observar o bom futebol Holandês nas tardes de terça ou quarta-feira. A malemolência das pinceladas de Tadic e suas feras contra o Real Madrid, contra a Juventus… Trataram de compor uma obra linda, com um tom único. A mistura do branco e do vermelho do uniforme do Ajax, passando rapidamente pelos olhos de bons admiradores… é poesia pura.

Desde a fase de grupos, parecia que a coreografia que o Ajax desempenhava em campo haveria de ser temida. Não só pela sua grandeza, não só pelo talento. Mas pelo encantamento que esse time era capaz de imprimir. Como encantadores de serpentes, grandes defensores (Chiellini, Bonucci, Sergio Ramos, Varane, Hummels) grandes goleiros (Neuer, Courtois) dançaram no ritmo dos Holandeses. Até onde a dança funcionaria? Fase após fase, jogo após jogo, a arte dos meninos impressionava e incomodava os almofadinhas. O mundo como os olhos brilhando com o Ajax. Já vimos isso.

Os meninos de Amsterdam chegaram longe na Champions e conquistaram Copa e Liga nacional

Mas, a Europa não foi digna de dar-lhes o que é justo. Os pássaros de Londres voaram mais alto que a imaginação do artista, e a obra, por hora, fica inacabada.

Mas em terras conhecidas… reinou tranquilamente nos museus de Amsterdam, a terra da arte.

Essa temporada europeia evoca em bons amantes do esporte bretão o sonho. Da Atalanta. Do Getafe. Do Wolvehampton. Essa temporada europeia, em que Messi, mesmo sem o título maior, brilhou como estrela. Neymar? Foi um dos alívios cômicos. O vilão atrapalhado. Cristiano Ronaldo, apareceu com maravilhosos jogos, mas faltou a festa final.

Europa, continue assim, conte suas histórias sem depender apenas das cifras e dos engravatados. Tudo fica mais lindo e vem a tona a imagem do futebol que aprendemos a amar.

Postado por Igor Varejano 18 anos. Do interior de São Paulo. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha.