Entre a continuidade e a renovação: o caminho da seleção brasileira até o Catar
12 de julho de 2018
Categoria: Futebol e Seleções

Foto: Mauro Pimentel/AFP Photo

Passados alguns dias após o clima fúnebre que tomou conta dos milhões de brasileiros que torceram e apoiaram a seleção na Copa do Mundo da Rússia – até a doída eliminação para a Bélgica, nas quartas-de-final da competição -, é hora de bater a poeira e começar a pensar nos próximos quatro anos, período de preparação da equipe que deverá disputar a próxima Copa do Mundo, no Catar, em 2022. A CBF, logo após a eliminação, começou a trabalhar nos bastidores para manter a comissão técnica que disputou o mundial de 2018. O trabalho e as ideias de Tite devem ser mantidas pelo menos até 2022, caso nada de muito distoante do apresentado até o momento aconteça até lá. E essa continuidade deve mesmo ser a palavra para o futuro da seleção pentacampeã do mundo. Só não pode ser a única.

Mesmo com a eliminação de forma, até certo ponto, precoce — levando em conta as ambições e expectativas que acompanharam a amarelinha antes e durante a disputa do mundial-, há de se reconhecer que o trabalho de Tite a frente da seleção nacional têm mais pontos positivos do que o contrário. Não podemos esquecer que esta também foi uma experiência inédita para o treinador brasileiro, e, se levarmos em consideração a situação na qual ele assumiu a equipe, podemos enxergar um bom trabalho e um projeto promissor para os próximos anos.

É claro que Tite mostrou algumas falhas durante a Copa do Mundo. Falhas que chegaram até mesmo a custar a vaga nas semifinais do torneio. A insistência com alguns nomes e as convocações pra lá de duvidosas devem e precisam ser repensadas pelo comandante daqui pra frente. O sucesso do projeto brasileiro, bem como das ideias de Tite passam, sim, pela continuidade e manutenção do mesmo no cargo. No entanto, o treinador terá que repensar e abrir mão de algumas convicções durante a caminhada. Por sorte, Tite contará, a partir das próximas convocações, com um leque ainda maior de atletas para serem testados e, futuramente, compor o elenco da seleção brasileira.

Aqui, listaremos apenas dois ou três jogadores por posição, passando por nomes que estavam entre os 23 que disputaram o mundial na Rússia, outros que já foram testados e devem ganhar novas chances, assim como alguns nomes que podem receber a primeira oportunidade com a camisa canarinho em breve.

GOLEIROS

Foto: Pedro Martins/MoWa Press

Essa talvez seja uma das posições menos preocupantes para os próximos anos. O Brasil tem em Alisson e Ederson dois bons nomes, com idade e margem de crescimento para que possam disputar até mesmo mais dois mundiais, caso mantenham o bom nível demonstrado até aqui. Quanto ao Alisson, titular da posição, pode ser que acabe se transferindo para um clube de maior expressão no cenário europeu, visto que seu nome já foi sondado em equipes como Liverpool e Real Madrid, finalistas da última edição da UEFA Champions League. Uma transferência desse porte seria de grande auxílio no crescimento do arqueiro.

Ederson, o mais novo, tende a crescer ainda mais sob os comandos de Pep Guardiola. O catalão já confessou ser fã do jovem goleiro brasileiro e suas atuações com a camisa do Manchester City asseguram a visão de Guardiola. Deve chegar em 2022 ainda como reserva da posição, mas não será nenhuma surpresa caso conquiste a vaga de Alisson no caminho até o Catar.

ZAGUEIROS

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Marquinhos talvez seja, até o momento, a única unanimidade para a defesa brasileira que começará a ser construída após o mundial da Rússia. Tendo em vista que, tanto Thiago Silva quanto Miranda, mesmo que tenham feito uma Copa do Mundo assustadoramente segura, não chegarão em condições para disputar a Copa de 2022 — por mais que devam ser utilizados durante o processo de transição e também devem compor o elenco que disputará a Copa América de 2019, até mesmo por uma questão de referência para os mais jovens.

No entanto, apesar das dúvidas, temos alguns bons nomes que podem estar ao lado do defensor do Paris Saint-Germain, vestindo a camisa da seleção nos próximos anos. O primeiro deles seria o zagueiro são-paulino Rodrigo Caio, que inclusive atuou ao lado de Marquinhos na conquista do ouro olímpico, em 2016. Podemos citar ainda nomes como os de Jemerson, zagueiro promissor que vêm se destacando em suas atuações pelo Mônaco, assim como de Lyanco, zagueiro do Torino da Itália, sendo que este aparece mais como uma promessa a ser trabalhada ao longo dos próximos anos.

LATERAIS

Fabinho seria uma boa opção caso volte a atuar também como lateral.

O lado direito da defesa brasileira é, sem dúvida alguma, o que mais levanta incógnitas para o futuro. Não seria nenhuma supresa se tivéssemos, a partir das próximas convocações, jogadores sendo testados pela primeira vez e/ou improvisados. Com Daniel Alves e Fagner já figurando entre nomes que certamente não farão parte dos 23 que devem ir ao Catar, poderemos ver Fabinho de volta ao posto de lateral direito, sua posição de origem. Embora venha atuando mais como meia nas últimas temporadas, o novo início no Liverpool e a baixa demanda na seleção podem fazê-lo repensar sua posição.

O segundo nome para a posição fica dividido entre Danilo – que mesmo não tendo atuado por muito tempo na Copa, pode crescer de rendimento e chegar à 2022 em condições de estar entre os selecionados -, e Éder Militão, jogador do São Paulo, que vêm atuando improvisado na lateral direita tricolor desde a temporada passada. Esse pode ser um bom nome pela polivalência, uma vez que pode atuar tanto como lateral quanto como zagueiro e até mesmo de volante.

Alex Sandro é o nome da vez para assumir a lateral esquerda do Brasil.

Já a situação no lado esquerdo é muito mais tranquila e não deve tirar o sono do treinador brasileiro. Existem ao menos quatro boas opções para a posição que não deverá mais contar com os serviços de Marcelo e Filipe Luís — pelo menos não para o mundial de 2022. Sendo assim, Alex Sandro, da Juventus, desponta como o principal nome para ocupar a lateral esquerda da seleção. Para disputar a vaga com o lateral da vecchia signora, ou somente para lhe substituir em alguns casos, podemos citar alguns bons nomes, no entanto, ficaremos aqui com o que parece estar a frente dos demais. Trata-se de Wendell, lateral esquerdo que vêm se destacando após boas temporadas com a camisa do Bayer Leverkusen.

MEIO-CAMPO

Casemiro deverá ser uma das lideranças no próximo ciclo da seleção.

Com boas opções já integradas ao atual elenco e uma grande variedade de atletas promissores a serem testados, o meio de campo da seleção brasileira também promete ser de fácil manejo para Tite, embora possa contar com algumas disputas interessantes por uma vaga no onze inicial. O cabeça de área está mais do que definido. Casemiro é, até então, unanimidade para o posto de primeiro volante da equipe brasileira. Daqui até 2022 pode inclusive ser muito mais do que um titular absoluto. A aposta é que se transforme também em um dos líderes do elenco, seja pela idade ou pela postura dentro e fora de campo. A vaga de reserva imediato do camisa 5 madridista deverá ser disputada por algum jovem jogador. Podemos citar e apostar no meia ex-Corinthians, recém vendido ao Shaktar Donetsk, Maycon.

Um pouco mais a frente, para atuar como meia de ligação, é bem provável que venhamos a contar com Arthur, ex-Grêmio, recém negociado com o Barcelona. O jogador já desponta como uma das maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos anos e deve receber novas chances com o treinador brasileiro, uma vez que chegou a integrar a lista de suplentes para a Copa da Rússia. Quem também deve brigar pela posição é o meia recém contratado pelo Manchester United, Fred. O jogador chegou a integrar o grupo que disputou o mundial neste ano e só não atuou por conta de uma lesão.

Foto: Buda Mendes/Getty Images

Já para a função de armador do time, tudo indica que contaremos mais uma vez com os serviços de Philippe Coutinho com a camisa da seleção. O meia do Barcelona deverá manter a pegada e confirmar a titularidade como principal nome de criação no elenco brasileiro. Quem também deverá receber uma oportunidade entre os selecionados de Tite para uma das vagas no meio-campo é a revelação do Flamengo, Lucas Paquetá. O jogador vêm se destacando jogo após jogo e é um dos principais responsáveis pela boa campanha flamenguista no Campeonato Brasileiro até aqui.

ATAQUE

Neymar seguirá sendo o principal nome da seleção por bastante tempo.

Chegamos ao setor com o maior número de opções possíveis para o treinador brasileiro. Tite deverá ter uma dor de cabeça das boas na hora de fazer as convocações para compromissos futuros. A certeza é que teremos Neymar mais uma vez como principal craque da seleção. A expectativa é que o atacante do Paris Saint-Germain chegue ao Catar no auge da forma física e técnica. Polêmicas à parte, Neymar é uma das poucas unanimidades para a sequência do trabalho comandado por Tite. Tudo indica que será acompanhado por Douglas Costa no extremo oposto do campo e também por Roberto Firmino ou Gabriel Jesus no comando do ataque.

Vários são os nomes que devem receber chances já nas próximas convocações de Tite. Entre eles podemos destacar aqueles que seriam ótimas opções para os possíveis titulares citados acima. David Neres, do Ajax; Rodrygo, jogador santista já negociado com o Real Madrid; Vinícius Junior, promessa e destaque ex-flamengo e agora jogador do Real Madrid; e Malcom, campeão brasileiro com o Corinthians, em 2015, e destaque do Bordeaux, da França são os principais nomes a serem observados pelo treinador brasileiro.

David Neres é um dos vários jovens que devem receber uma chance no ataque da seleção.

As ideias e conceitos de Tite devem permanecer na seleção pelo menos até a disputa da próxima Copa do Mundo. O treinador deverá se mostrar capaz de aprender com os próprios erros e acertar aquilo que ficou faltando para a conquista do tão sonhado hexacampeonato mundial. Agora poderá contar ainda com mais opções para fazer novos testes, aprimorar alguns atletas ou simplesmente modificar seus padrões de jogo e buscar novas alternativas para situações adversas. O caminho até o Catar é longo, mas o tempo será uma ferramenta de extrema utilidade para que Tite possa desenvolver e escolher, entre tantas boas opções, seus 23 selecionados para mais uma disputa em busca da obsessão brasileira.

Postado por André Oliveira Estudante de História, torcedor são-paulino, clubista e corneteiro.