Em jogo histórico, Tottenham finalmente tira o amargo da boca
17 de abril de 2019
Categoria: Futebol e Internacional

 

Os amantes de cerveja insistem: basta beber mais e mais vezes para acostumar com o sabor da cevada. O amargo some e nasce uma paixão. Há dois anos, relacionei essa experimentação alcoólica com o Tottenham de Mauricio Pochettino. Temporada após temporada, o time inglês vinha provando o sabor do quase.

Quando fez brilhante campanha doméstica, encontrou times ainda mais brilhantes pelo caminho. Mas a continuidade e o bom trabalho davam indícios de que isso estava por acabar. Nesta temporada, o título da Premier League já não é mais um dos objetivos, mas o sabor para a torcida passa longe de ser amargo.

Na tarde desta quarta-feira, sortudos foram os que ligaram seu computador para acompanhar o embate entre Tottenham e Manchester City. O Etihad Stadium, sem dúvidas, recebeu um dos grandes jogos da história recente da UEFA Champions League. Foram quatro gols relâmpago e intensidade das duas equipes do início ao fim.

Não houve tempo de ir ao banheiro ou buscar algo para comer. A trocação não parava. Sejamos justos: o time de Pep Guardiola foi dominante na maior parte do jogo. Mas faz parte. Afinal, era o time de Manchester que precisava do resultado. Depois da insanidade dos primeiros minutos, com 2 a 2 no placar, o City fez o que tinha que fazer.

Logo no início da etapa final, Kun Aguero soltou uma bomba. 4 a 2 no placar e o amargor já tomava o paladar da torcida dos Spurs. O fracasso parecia insistir em acompanhar a trajetória de um time que luta para estar entre os grandes. Sem reforços milionários, com manutenção de trabalho. Sem o craque Harry Kane em campo, mas com muita luta.

LLorente, extremamente questionado e longe de ser um jogador world class, sobe alto, mas desvia com a coxa – e com a mão, colada ao corpo – para diminuir. Aos 30 minutos, 4 a 3 e a vaga nas mãos do Tottenham. Será que, enfim, o tão sonhado gosto da vitória prevaleceria? Um gol de Sterling, no último lance, parecia selar mais um fracasso, mas o VAR anulou.

Os comandados de Pep até tentaram, mas o Tottenham merecia degustar uma boa cerveja. Mauricio Pochettino, que tem uma série de ressalvas sobre seu trabalho, viveu a tão merecida noite de sua vida. O amargor das boas campanhas que não terminaram em título acabou. Ainda há um longo caminho para um eventual título continental, mas não há dúvidas: hoje, nenhum torcedor do Tottenham lembra disso. É tempo de festa em Londres.

O trabalho foi premiado: o Tottenham está aprendendo a beber da fonte dos gigantes. E sem amargor. Que UEFA Champions League é essa!

Postado por Andrew Sousa Formando-se em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.