• Educando atacantes – Ensina, Romário
    9 de novembro de 2017
    Categoria: Entrevistas

     

    Uma das páginas esportivas mais famosas do Facebook aqui no Brasil, o “Ensina, Romário” se destacou entre os fãs do esporte bretão pela criatividade no trabalho e pela semelhança dos lances editados. Sempre que um atacante perde algum gol muito claro, é de praxe que a página exiba algum lance do baixinho na mesma situação, colocando a bola para dentro. Conversamos com o idealista da página, Júlio César.

    Confira na íntegra

    1. Conte mais sobre quem está por trás do “Ensina, Romário”. Além do conteúdo para a página, faz o que?

    Meu nome é Júlio César e sou o criador/editor único do “Ensina, Romário”. Cursei economia na UFSC, trabalho com finanças e também sou dono do site FutDados.com. Curto/acompanho futebol desde criança e Romário sempre foi o atacante que mais gostei de ver jogar, sinônimo de eficiência.

    2. Uma coisa que acredito que todos querem saber, como que é feito o trabalho de pesquisa de gols similares a chance perdida a ser explorada? Por que a semelhança entre os lances é sempre absurda.

    É uma coisa meio doida, difícil de explicar rapidamente. Para facilitar, separei os gols do Romário por clube/seleção que ele defendeu. Isso tudo extraído do DVD “Romário é gol”. Depois, fiz algumas (não muitas divisões) para agilizar algumas buscas: criei compilação separada só pra gol de cabeça, só cara-a-cara, só gol de canhota… isso ajuda. Por fim, quando busco o gol, coloco os vídeos para tocar em velocidade 4x no editor. Assim, os lances passam bem rapidamente e o negócio é ficar atento. Com o tempo, de tanto buscar, fui me familiarizando com os vídeos e, cada vez mais, acontece de já saber onde procurar por determinado tipo de gol. É meio doido, admito.

    Resultado de imagem para romário metendo gol

    O processo de busca não é tão simples, afinal, sobram gols na lista do Baixinho.

    3. Você esperava que sua ideia alcançasse tanto sucesso assim? Afinal, o “Ensina, Romário” já foi notícia em sites como Yahoo, Trivela e até mesmo no Globo.com. Como reage a esse reconhecimento?

    Admito que não fazia ideia. A ideia surgiu de bobeira, de brincadeira. Sem maiores pretensões.. foi ganhando popularidade, alcance… e hoje são mais de 70 mil seguidores na fanpage. Acho legal que tanta gente curta e, também, de certa forma, muitos jovens passaram a ‘conhecer’ a carreira de Romário. Querendo ou não, já são quase dez anos que ele se aposentou. Muita gente que hoje consome futebol não o viu jogar, ou viu só o fim da carreira.

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    4. Além de Romário, que conhece e divulga bastante a página, existe mais algum jogador que expressou algum tipo de admiração ao trabalho curioso que você realiza? Quem?

    Diretamente, só Romário. Mas tem outros jogadores que curtem frequentemente as postagens no Instagram, como Gilberto, do São Paulo, Pedro Rocha (ex-Grêmio), o atacante Júlio César (ex-Figueirense, Coritiba, Fluminense), o baixinho Madson. Creio que, aos poucos, eles também vão divulgando entre amigos.

    5. Até hoje, qual foi o acontecimento que considera ser a maior realização do “Ensina, Romário” e por quê?

    Acho que o mais legal foi conhecer Romário pessoalmente, em maio de 2014. Ele esteve em Florianópolis (onde moro) para um jogo beneficente em prol da conscientização sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica (E.L.A). Consegui falar rapidinho com ele, tirei foto, etc.

    Julio César, no encontro com o ídolo.

    6. Quais são seus planos para o futuro desta ideia? Pretendem desenvolver mais? Onde acha que ainda podem crescer?

    A princípio, não há nada certo em mente. Penso, talvez, em desenvolver um site organizadinho onde todas as postagens estejam reunidas, como uma espécie de catálogo. Mas é algo que demanda bastante tempo, tem seu custo, etc.

    7. Na sua visão como produtor de conteúdo, o quanto é difícil se manter financeiramente dentro do ramo, sendo independente, sem apoio de nenhuma grande empresa? Há como viver só disso realizando o divertido trabalho que produz? Você tem esta meta?

    Pela minha experiência, acho bastante difícil pensar em viver disso. Já tive alguns patrocínios pontuais em postagens, anúncios em vídeos, mas parcerias curtas. Claro que eu gostaria e aceitaria patrocínios que fossem mais rentáveis, seja via publicidade ou mesmo absorção do conteúdo para um portal maior. Mas as coisas estão difíceis, acho que o mercado anda retraído.

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    8. O que mudou na sua vida após o “Ensina, Romário”?

    Honestamente, não chega a esse ponto. É uma coisa legal, tem sua visibilidade, mas não é algo que mudou drasticamente minha vida em algum aspecto, seja financeiro ou outra coisa parecida. Como disse, acho legal que as pessoas se divirtam, interajam e mesmo que passem a conhecer mais a carreira do Romário através da brincadeira/homenagem que é o “Ensina, Romário”.

    9. Você conta com alguma equipe para manter as páginas? Se não, como é administrar tudo sozinho?

    A principal/única ajuda que tenho são as sugestões de gols perdidos nos jogos de futebol de hoje em dia. Como a oferta de jogos nacionais e internacionais é muito grande, é preciso pedir sugestões de gols na internet (normalmente, utilizo a conta do twitter e internautas mandam suas sugestões).

    Todo o restante do processo (pesquisa do gol parecido, upload, edição) é feito por mim, sozinho. Busco os gols perdidos de hoje em dia, procuro lances semelhantes em meus arquivos, salvo e publico nas redes.

    10. Foi um prazer concluir esta entrevista. Agradecemos e abrimos o espaço para suas considerações finais. 

    Agradeço pela oportunidade dessa entrevista e convido a todos que não conhecem o “Ensina, Romário” a vir dar uma olhada em todas nossas páginas: Facebook, Twitter e Instagram.

    Postado por Renan Castro Jovem de 22 anos, formando em administração, torcedor do Flamengo, natural do Rio de Janeiro e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.