É hora de esquecer as expectativas e diminuir o nível de exigência com Ganso
30 de agosto de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Nacional

Lucas Merçon/Fluminense

O início da carreira de Paulo Henrique Ganso dispensa apresentações. Camisa 10 clássico, o meia fazia chover na Vila Belmiro e, para muita gente, parecia mais promissor do que Neymar. Tudo isso mudou com uma grave lesão. Desde então, alguns lampejos lembraram dos bons momentos, mas aquele futebol nunca mais voltou a ser constante.

Mesmo abaixo do que prometia, o atleta conseguiu certo destaque no cenário nacional, com a camisa do São Paulo, e realizou o sonho de jogar na Europa. No velho continente, porém, oscilou muito no Sevilla e, por fim, se escondeu no modesto Amiens, da França. Depois disso, voltou ao Brasil para vestir as cores do Fluminense.

Toda sua trajetória e a notória queda física após a lesão não diminuíram a expectativa de torcedores e comentaristas sobre o futebol do camisa 10. O nível de exigência com Ganso parece ser maior, justamente pela clássica máxima de “cobramos quem sabemos que pode render mais”.

E essas cobranças, por vezes, são extremamente exageradas. Nesta quinta-feira, por exemplo, o meia foi titular na eliminação do Fluminense diante do Corinthians, após empate por 1 a 1. Ao contrário do início da carreira, ele atuou mais recuado e teve desempenho satisfatório.

Bastante combativo, foi o segundo jogador da equipe carioca que mais desarmou (duas vezes) e o primeiro em interceptações (também duas vezes). Ainda que longe da meta adversária, Ganso também foi importante para o início das jogadas de ataque do time tricolor, com 45 passes – só Allan, com 46, passou mais a bola do que o meia.

Mesmo com as obrigações defensivas, o meia circulou em todo o campo para chamar o jogo, soltando rápido a redonda e oxigenando o setor da equipe comandada por Oswaldo Oliveira – sobretudo pela esquerda, potencializando as subidas de Caio Henrique.

Depois da atuação satisfatória, rendendo elogios de torcedores e rivais que viram ao jogo, Ganso deixou a partida sob algumas vaias. Mais do que isso, ainda foi motivo de manchete nos canais ESPN, como se fosse um dos culpados pela eliminação da equipe.

Manchete jogou responsabilidade em Ganso e Nenê

Há anos é assim. Sabemos que Ganso dificilmente será aquele do início da carreira, mas o cobramos como se ele ainda tivesse idade para, de uma hora para outra, render tudo aquilo que esperávamos. É hora de aceitar que o meia é um bom (ou excelente) jogador para o cenário brasileiro e analisar suas atuações de forma justa e imparcial.

Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.