É a vez da Alemanha enfrentar as maldições
22 de junho de 2018
Categoria: 4-3-3 e Seleções
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A Alemanha, atual campeã mundial, -mesmo sendo derrotada pelo México na primeira rodada- ainda é considerada por muitos a principal favorita vencer esta edição. Um dos empecilhos para o bicampeonato pode ser o retrospecto dos alemães enquanto defensores do título, já que nunca chegaram à final entrando na Copa nessa condição.

Em 1958, os alemães foram à Suécia com uma seleção bem renovada em relação aos protagonistas do Milagre de Berna quatro anos antes, com apenas cinco remanescentes do título mundial: o zagueiro Herbert Erhardt, o lateral direito Horst Eckel, o ponta Hans Schafer e os heróis nacionais Fritz Walter e Helmut Rahn. A renovação no escrete alemão vinha sendo puxada por dois futuros bandeiras do selecionável nas Copas seguintes: o defensor Karl-Heinz Schnellinger e o atacante Uwe Seeler.

Em terras suecas, os alemães estrearam vencendo por 3×1 a Argentina, empatou com a Tchecoslováquia em 2×2  e repetiu o placar contra a Irlanda do Norte. Terminou na segunda colocação do grupo, atrás dos norte irlandeses. Bom que se diga que a Irlanda só terminou na frente porque empatou  em pontos (3) com os tchecoeslovacos e o regulamento previa um jogo desempate, com a vitória foram aos 5 e ultrapassaram a Alemanha, que tinha 4.

Nas quartas de final (bom lembrar que na época a Copa tinha apenas 16 participantes) enfrentaram o técnico time da Iugoslávia e venceram pelo placar mínimo. Mas o sonho do bi terminou logo na fase seguinte frente a anfitriã Suécia. Os alemães ainda perderam a decisão do 3º lugar para a França de Kopa e Fontaine, com direito a um poker do último.

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A disputa do terceiro lugar.

20 anos depois, a Alemanha – então Ocidental – finalmente voltou a entrar em uma Copa como defensora do título, levando então cinco remanescentes do seu bi: o goleiro Sepp Maier, o lateral Berti Vogts, o zagueiro Schwarzenbeck e os meias Bonhof e Cullman. As célebres ausências do trio Beckenbauer, Gerd Muller e Paul Breitner se deram por motivos diversos: o líbero havia se transferido para o Cosmos, da amadora liga americana (onde jogaria ao lado de Pelé), o bomber se aposentou da seleção logo após o título em 1974 e o lateral-esquerdo, convicto comunista, se recusou à participar de uma Copa promovida por uma ditadura direitista.

A caminhada na Argentina começou com um empate a zero com a Polônia de Boniek e Lato, seguido por uma goleada de 6 a 0 no México, e então, um novo empate zerado, dessa vez com a Tunísia.

Na segunda fase (naquela edição não haviam nem oitavas nem quartas e nem semifinal) dividiu grupo com Itália, Holanda e Áustria. Empatou sem gols com a Itália, empatou em 2×2 com a Holanda e perdeu para os austríacos no chamado Milagre de Córdoba. Terceiro lugar para os tedescos, que ficaram fora da final, somando apenas 2 pontos, atrás de Holanda e Itália.

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O esquadrão de 78.

Em 1994, na primeira Copa disputada após a reunificação alemã, a Nationalmannschaft convocou 10 jogadores remanescentes do tri na Itália quatro anos antes: Ilgner, Brehme, Kohler, Buchwald, Hassler, Moller, Matthaus, Klinsmann, Voller e Kopke, já começando um processo de dificuldade de renovação que chegaria ao seu auge no final do século. No grupo C, estreou vencendo a Bolívia pelo placar mínimo; empatou com a Espanha em 1×1 e venceu a Coréia do Sul por 3×2 com gols de Klinsmann(2x) e Riedle.

Nas oitavas, parada dura com a Bélgica, vencida por 3×2. Mas o sonho do título consecutivo acabou quando os alemães tiveram de encarar a surpreendente Bulgária de Histro Stoichkov. Com o camisa 8 fazendo um e dando a assistência para o gol de Lechkov, os alemães descontaram com Matthaus, de pênalti.

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Resultado histórico para os búlgaros.

Nesta edição, a seleção alemã busca quebrar sua sina particular, ainda tendo outra pela frente: das últimas 4 edições, o defensor do título foi eliminado na fase de grupos em 3. A França em 2002 (sem marcar um único gol), a Itália em 2010 e a Espanha em 2014. A exceção se dá para o Brasil quadrifinalista em 2006. Além disso, a última vez que o atual campeão chegou à finalíssima foi em 1998. Com um término não tão bom assim para nós brasileiros…

Pra melhorar, ainda há a maldição da Copa das Confederações: nenhum time campeão do torneio semi-amistoso da FIFA foi campeão na Copa seguinte.

Será que a Alemanha de Neuer, Hummels, Boateng, Kroos, Khedira, Ozil, Muller e Draxler; remanescentes do tetra no Brasil, conseguirão vencer todas essas sinas e trazer o inédito bi tedesco? Esperamos ansiosos para ver.

Postado por Matheus Wesley Estudante de jornalismo, fã do futebol onde se parlla e onde se habla. Ama táticas e a história desse incrível esporte chamado futebol. Considera Zinedine Zidane a síntese do "jogo bonito" e acha os desarmes de Cannavaro, Baresi e Maldini tão bonitos quanto qualquer gol por aí. Twitter: @Matheus11Wesley