Desvalorização contínua do próprio produto
19 de setembro de 2018
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Nacional

 

Semana após semana, vemos bizarrices no futebol brasileiro, seja dentro de campo feitas pelos jogadores, técnicos e árbitros, ou fora dele, com as diretorias de clubes e das federações dando sinais de amadorismo. Mas alguns desses erros poderiam não existir se quem comanda o futebol nacional fizesse um trabalho digno, e a CBF passa longe disso.

Na última quarta-feira tivemos mais algumas mostras desse amadorismo da CBF, começando por colocar os dois jogos da semifinal da Copa do Brasil no mesmo dia e horário, obrigando os torcedores a escolherem uma das partidas para acompanhar. Aqueles que possuíam seu time envolvido em uma das partidas, tiveram a escolha óbvia, mas acabaram deixando de assistir ao outro confronto, de onde sairá o adversário do seu time numa possível final. E quem apenas queria assistir os jogos de uma fase aguda da maior competição de mata-mata nacional, acabou podendo ver apenas um deles ao vivo.

Falar sobre arbitragem é sempre delicado. É fato que erros acontecem semana após semana, e mesmo com o auxílio do VAR – como há na Copa do Brasil -, as polêmicas não deixarão de existir no futebol brasileiro. Porém, a “escolha” dos homens do apito nesses jogos tão importantes, não deixa de ser no mínimo questionável.

No Maracanã, Bráulio da Silva Machado foi o sorteado. O catarinense não faz parte do quadro da FIFA (existem 10 Árbitros FIFA no Brasil), e já havia se envolvido em polêmica em uma partida do Flamengo pouco antes da Copa do Mundo, e os rubro-negros não ficaram nada contentes quando souberam que Bráulio seria o dono do apito na partida de ida. Apesar disso, não tivemos maiores problemas relacionados à arbitragem no jogo do Rio de Janeiro.

No Allianz Parque, a arbitragem roubou a cena

No outro jogo, Wagner Reway foi o escolhido. Esse sim, faz parte do quadro da FIFA, porém não vem tendo um ano muito feliz. Na primeira rodada do Brasileirão, no jogo entre Vitória e Flamengo, deu pênalti para o time baiano de maneira muito equivocada, e validou um gol irregular da equipe carioca. Na mesma semana, a CBF anunciou que Reway passaria por uma reciclagem, e apitaria jogos da Série B nesse tempo – o “afastamento” não durou muito tempo, já que em maio ele estava apitando jogos da Série A novamente. E mesmo com o VAR, ele conseguiu se envolver em uma grande polêmica, ao anular um gol palmeirense aos 52’ do segundo tempo, no último dos 7 minutos de acréscimo que deu – e que muitos acharam um tempo exagerado. Ele alegou que o zagueiro Edu Dracena empurrou o goleiro cruzeirense, e por não ter deixado o lance seguir, apitando a falta antes da bola ir para o gol, não teve a oportunidade de rever o lance no VAR. O lance causou muita revolta nos palmeirenses, e a diretoria do clube paulista enviou um ofício para a CBF com todos os lances que alega que o árbitro mato-grossense errou na partida.

Também é plausível falar sobre a data em que as partidas foram jogadas – um dia após um amistoso da Seleção Brasileira contra a “poderosa” seleção de El Salvador. O adversário na verdade pouco importa, mas a falta de tato de quem organiza o futebol nacional é nítida, pois as Datas FIFA já são informadas com muita antecedência, então quando o calendário da Copa do Brasil 2018 foi lançado, colocando as semifinais neste meio de semana, já se sabia que a Seleção jogaria um dia antes. Nesse ponto também entra uma possível falta de questionamento dos clubes, já que os mesmos aprovam o calendário quando este é lançado.

Paquetá e Dedé jogaram na terça pela Seleção, e tiveram que fazer uma operação enorme para estarem em campo na quarta

Profissionalizar a arbitragem, ou mudar o calendário para tentar achar uma forma de desinchar – e evitar que os clubes joguem com os reservas no Brasileirão, coisa que vem irritando a CBF nesse ano -, parece que são assuntos que estão longe de serem discutidos pela Confederação que organiza nosso futebol. Mas tem pequenos atos que parecem fáceis para valorizar o produto que ela tem em mãos, e nem isso é feito. Acompanhar o futebol brasileiro é cada vez mais difícil, e isso não é culpa de jogadores e técnicos. Simplesmente lastimável.

 

Postado por Leonardo Tudela Del Mastre Natural de Sorocaba-SP, amante do futebol do interior paulista e torcedor de São Bento e Corinthians. Além do amor pelo interior, viciado no futebol como um todo. Formado em Processos Gerenciais pelo IFRS.