Depois da tempestade, nem sempre precisa vir a terra arrasada
19 de setembro de 2019
Categoria: Futebol e Nacional

 

18 e Setembro de 2019, Beira Rio lotado, recorde da “nova” casa colorada e apenas um sentimento antes do jogo: “dá para virar, o Inter é muito forte em casa”. Após 90 minutos de jogo, porém, o que parecia improvável acontece. De forma merecida, o Athletico vence no Rio Grande do Sul e sela o título da Copa do Brasil – me desculpe, torcedor do CAP, mas acho que até vocês sabiam a dificuldade de bater o time gaúcho em sua casa.

Com personalidade e muito futebol, o Athletico foi superior na soma dos 180 minutos – no Paraná, o Inter pouco produziu e depois apostou mais na mística de seu estádio do que no futebol que podia apresentar.

Nesse texto, no entanto, não falaremos do jogo, mas sim de sua repercussão no lado vermelho. Com um dos trabalhos mais duradouros do Brasil, um país que castiga o insucesso desde cedo, Odair Hellman passou a ser muito questionado – no Twitter, vários colorados levantaram a hashtag #ForaOdair.

Mesmo sem títulos, o comandante construiu uma trajetória sólida no Beira Rio e vive, depois de um terceiro lugar no Brasileirão e uma final nacional, sua maior crise. As críticas são direcionadas a erros pontuais cometidos justamente nos jogos em que o time precisava crescer – os comentários vão do “medo” de atacar o Flamengo até as discutíveis opções para o segundo tempo da decisão nesta quarta-feira.

Em meio a tantos questionamentos, é preciso ter calma. A tempestade foi forte, mas o clima não pode ser de total terra arrasada. Odair é sim responsável por erros importantes, mas não é o único culpado. Os atletas do Internacional fizeram um jogo apático e não conseguiram reagir, mesmo com o apoio da torcida. Com tantos nomes experientes no plantel, jogar toda culpa em cima de um técnico novo e promissor pode ser cavar a própria cova.

Trabalho de Odair fez o Internacional voltar a ser competitivo.

Odair errou e ainda vai errar muito, mas o horizonte para ele parece bastante positivo. Pouco tempo atrás, era impossível imaginar uma campanha para demiti-lo. Agora, o técnico corre riscos de ser mais uma vítima da cultura que encerrar trabalhos de forma precoce única e exclusivamente pelos resultados – e olha que ele acumular bons números, mas falta a taça.

Como em tantas outras vezes, ignoramos a dificuldades que é conquistar um torneio em território nacional. Em um país que diz ter 12 grandes, há pelo menos cinco equipes que podem chegar nas competições. Como são apenas quatro títulos por ano no nosso calendário, a conta é simples: não dá para todos serem campeões.

Mesmo com o cálculo óbvio, a falta de um troféu na galeria faz pessoas esquecerem o processo, a estrutura e uma forte base montada. Odair trouxe o Inter competitivo de volta e isso é um feito enorme.

Além de tudo que foi dito, finalizo com alguns questionamentos. Quem vem se Odair sair, sendo realista? O retorno milagroso do ultrapassado Abel Braga, que mesmo com o ótimo elenco do Flamengo pouco fez? Thiago Nunes (será que é tão fácil assim tirá-lo do Athletico)? Trazer um estrangeiro?

No fim, o mais acertado parece ser erguer a cabeça, esquecer a tempestade e continuar o plantio. Com o bom trabalho que vem sendo feito, uma hora a colheita vem.

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Postado por Douglas Dihl Veleda Futuro Matemático, apaixonado pelo Grêmio e torcedor do Chelsea. Acredita nos números sem abandonar as exceções.