De Toekomst
18 de abril de 2019
Categoria: Futebol e Internacional

 

Você se lembra dos amigos que jogavam futebol com você aos 8 anos? Aos 12? Aos 15? Agora imagine se eles tivessem sido seus companheiros até o futebol profissional. E até a semifinal da Liga dos Campeões da Europa.

 A estratégia principal neste Ajax é fazer com que os jogadores jovens não apenas representem milhões em euros, mas que também entreguem algo de volta. O primeiro grande resultado veio em 2017, quando o time comandado por Peter Bosz entrou para a história ao alinhar a equipe mais jovem de todas as finais europeias: 22,28 anos em média. Muitos daqueles jovens ainda estão no clube. São os casos de David Neres, contratado junto ao São Paulo, mas também de Onana, De Ligt e Frank De Jong. Naquela noite de 24 de maio, o Manchester United mais cínico e experiente comandado por José Mourinho venceu por 2 a 0 e ficou com a taça. O Ajax teve uma leve turbulência após a saída de Bosz, mas reencontrou-se desde a chegada do técnico Erik Ten Hag em 2018.

Após sua aposentadoria dos gramados, o técnico holandês começou a treinar o Go Ahead Eagles, um time da segunda divisão holandesa, em meados de 2012. Seu trabalho chamou a atenção do Bayern de Munique e ele foi contratado para treinar a equipe B do time bávaro na temporada seguinte. Na Alemanha, Ten Hag obteve o melhor rendimento da carreira até então. As 48 vitórias, 10 empates e 14 derrotas no Bayern B deram um aproveitamento de 66.6% dos pontos na Regionalliga, equivalente à quarta divisão.

O desempenho no clube bávaro fez o Utrecht, da Holanda, oferecer o cargo para Ten Hag, que aceitou de prontidão. A base do elenco foi consolidada e, nas duas temporadas em que esteve no comando do Utrecht, conseguiu o quinto e o quarto lugares, respectivamente, na Eredivisie. Esta última campanha colocou o clube na fase classificatória da Europa League.

Mas há um trabalho além do próprio treinador. O Ajax tem uma cultura de revelar jogadores, desde a década de 60, quando surgiu Johann Cruijff, ou nos anos 80, com Van Basten ou o time sensação dos anos 90 com Seedorf, Davids, Kluivert, Van der Sar, entre outros.

A modernização e globalização do futebol levaram o Ajax a passar por maus bocados. A facilidade em observar jovens talentos e buscá-los cada vez mais jovens em ligas periféricas, como é a Eredivisie para a Europa, fez com que o Ajax tivesse dificuldades em manter o DNA vencedor do século passado, que baseava-se em montar elencos com diversos jogadores de alto nível, revelados nas categorias de base do próprio clube.

Em 2019, com média de idade na casa dos 24 anos, sendo o time titular com média em 21,2, segundo o Transfermarkt, o elenco do Ajax conta com promessas que já brilham os olhos dos gigantes endinheirados do Velho Continente. O meio-campista Frenkie De Jong já negociado por 75 milhões de euros junto ao Barcelona, o zagueiro e capitão Mathjis De Ligt, com apenas 19 anos, também interessa ao clube catalão. Outros nomes importantes no elenco são o atacante brasileiro David Neres, de 22 anos, e o meia Donny van de Beek, também com apenas 22 anos.

O Ajax era um gigante adormecido. Que apostou no seu DNA. De Toekomst, que traduzindo do holandês ao pé da letra, significa O Futuro, é o nome do complexo esportivo que abriga as categorias de base do Ajax e é nesse futuro que o clube holandês quer apostar.

Postado por João Vitor Nunes Jornalista no interior de Minas, formado pela Universidade Federal de Ouro Preto. 22 anos. Atleta recém promovido ao sub-óbito.