Críticas a Tite são legítimas, mas convocar Jesus era necessário
22 de setembro de 2018

AFP PHOTO / VANDERLEI ALMEIDA

Ausências, presenças e critérios. Tudo vira alvo de questionamentos em uma convocação da Seleção Brasileira. E nesta quinta-feira, em nova lista de Tite, não foi diferente. A surpresa pelo técnico ter chamado Walace e novamente ter deixado Allan de lado irritou.  O nome de Pablo, do Bordeaux, também gerou estranhamento. Assim como a nova chance para Gabriel Jesus, que havia ficado fora do primeiro chamado após a Copa do Mundo.

A desconfiança que paira o centroavante é enorme. A falta de gols e atuações abaixo da média no Mundial tiraram a paciência de quem acompanha o esquadro verde e amarelo. Apesar do reconhecido momento ruim na Rússia, é justo excluir Jesus deste novo ciclo? 

Temos quatro anos pela frente. Dentro dessa realidade, a própria massa que questiona Gabriel cobra testes de Adenor. Jogadores novos, com projeção de evolução e capacidade de chegar a 2022 no auge de suas carreiras. Nisso entram nomes como Richarlison, de bom início no Everton, e Pedro, artilheiro do Fluminense que acabou cortado do último teste por lesão.

Mesmo com a experiência mal-sucedida na Rússia, o comandado de Pep Guardiola também se encaixa nesses fatores – tem a mesma idade que Richarlison, inclusive. Treinado pelo melhor técnico do mundo e duelando semanalmente com grandes jogadores, é impensável que um atacante de 21 anos não se desenvolva. Além de tudo isso, Jesus já teve bons momentos na Seleção de Tite – é, inclusive, um dos artilheiros desde que ele chegou.

Jesus tem apenas 21 anos e já demonstrou ser um talento da geração.

Somado a isso, cabe ressaltar que a função de um técnico não envolve apenas parte técnica. Gabriel não pode ter desaprendido a jogar. E Adenor sabe disso. Sendo assim, entende a importância da confiança para seu centroavante. Depois da Copa do Mundo, o ex-Palmeiras deixou claro seu abatimento.

Dá até medo do que pode acontecer, do que eu possa achar de mim mesmo, é complicado. Medo de achar, da confiança sair. É difícil“, desabafou.

Deixa-lo completamente de lado, então, seria quase uma punição pelo que aconteceu no Mundial. Para tentar não perder de vez um talento, Tite explora o lado do incentivo e dá outra chance, mesmo ciente de que o momento de Gabriel passa longe de ser bom na Inglaterra. Sim, uma convocação, em alguns casos, é mais do que “chamar quem vem jogando melhor” – isso não se encaixa para todos os casos, obviamente, há muitas incoerências na lista de Adenor.

Gabriel Jesus joga muito. Não fez gol na Copa do Mundo? Não fez, mas é o goleador da Seleção“, justificou o treinador, enviando uma mensagem bastante positiva ao seu comandado.

Se todos clamam por um projeto visando 2022, não há cabimento cravar que “não precisamos mais de Gabriel Jesus”. Ora, assim como o atacante do Manchester City decaiu, Richarlison pode não dar sequência ao excelente momento – no Watford, inclusive, faz um semestre excelente e outro bem abaixo. O mesmo podemos dizer de Pedro e de qualquer outro jovem jogador.

Jesus deixou a Rússia sem gols.

É normal que haja uma insatisfação pelo que foi a Copa. É normal que Firmino ganhe a titularidade. Mas, para um jogador de talento e com apenas 21 anos, não pode haver uma punição perpétua. Não se fecha as portas da Seleção Brasileira para quem pode render com a camisa amarela.

Diante deste cenário, é entendível que Tite abrace Gabriel. Como todos deviam fazer. Com o garoto confiante e desempenhando futebol de outrora, somos nós que ganhamos. 

Postado por Andrew Sousa Formando-se em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.