Carta aberta aos fiscais de choro
26 de junho de 2018

Os gols ficaram em segundo plano para alguns analistas. FOTO: EDUARDO NICOLAU/ESTADAO

Intrágavel. É praticamente impossível ouvir certos comentários após jogos do Brasil nesta Copa do Mundo. Sempre o mesmo reducionismo barato e oportunismo. Seja primeiramente pelo cabelo de Neymar, seja pelo choro de Neymar, seja pela cueca, cor de chuteira…não importa, sempre é a mesma ladainha.

O problema principal nesse tipo de análise é quando ela sai do campo da descontração, e cai num âmbito de análise quase acadêmica. Jornalistas que representam os maiores meios de comunicação do país, trazendo um ar pessoal para comentários que sequer tangem o jogo em si. Afinal, o que a forma que se desenha o cabelo de Neymar influencia na mecânica de jogo de Paulinho, Willian, Coutinho? Até meio sem intenção, tira espaço do entendimento do jogo por parte do telespectador.

Uma das razões para esse tipo de tema ganhar os holofotes tem nome, e o mercado adora muito: Consumo. É extremamente midiático repercutir questões tão pequenas e fúteis. Isso gera polêmica, que coloca de alguma forma mais atenção ao trabalho que esses influenciadores fazem, fazendo assim que se converta cliques em dinheiro. O que é realmente muito triste, levando em conta  a complexidade dessa influência em tempos em que a informação se espalha rápido, e as opiniões estão cada vez mais extremadas.

O que certos jornalistas tem que entender, é a grande força que suas opiniões têm, e o quanto isso gera discussões e atitudes baixas no mundo virtual. A imagem de Neymar, ajoelhado, chorando, foi com certeza mais comentada no país dele que o gol de Phillipe Coutinho aos 45 minutos do segundo tempo. Como se a fraqueza do craque superasse a força da camisa brasileira, e desprendesse um significado quase que visceral, que reflita toda a condição emocional de um grupo. Aí entram os defensores do choro. Tão intragáveis quanto, mas que aparecem exatamente para contrapor a visão reles do comunicador.

E então vira uma bola de neve. Acusações, xingamentos pessoais, bloqueios… é sempre o mesmo caminho, que no geral não termina bem. Não que o jornalista não deva analisar isso, jamais isso seria defendível. Mas a priorização desse tipo de comentário e tema é muito prejudicial até para o aprimoramento do jogo disputado aqui, ao invés de boas análises táticas, as redes sociais se enchem de opiniões chulas e reducionistas, que não agregam em nada.

Por um mundo onde o jogo seja mais valorizado que gel e lágrimas.

Postado por Igor Varejano 18 anos. Do interior de São Paulo. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha.