Carlos Sanchez é a maior das ínfimas alegrias do santista em 2018
8 de outubro de 2018
Categoria: Futebol e Nacional

Sanchez acalmou o meio campo santista e deu outra cara para o time de Cuca.

A temporada do Santos e do torcedor santista se desenrolou de uma maneira complicada e dolorosa de diferentes formas, dentro e fora de campo. Mas em meio à bagunça que foi o time e o clube em boa parte de 2018, alguns ínfimos momentos de alegria aconteceram, e isso reconfortou um pouco o coração do apaixonado alvinegro praiano. Foi assim com Rodrygo e sua ascensão impressionante, foi assim com o decorrer do trabalho de Cuca e está sendo assim com o passar dos jogos da melhor contratação do peixe no ano: Carlos ‘Pato’ Sanchez.

Sanchez foi ventilado nos corredores da Vila Belmiro por volta do início de junho, pouco antes da Copa do Mundo começar. Defendendo o Uruguai, o meio-campista fez um Mundial discreto e sem muitas aparições, mas seguro, firme ao melhor estilo uruguaio de ser e mostrando boas virtudes com a bola no pé. Seu estilo de jogo já seria muito bem-vindo por si só, entretanto isso acaba sendo somado ao fraco meio de campo do Santos que inexistiu no primeiro semestre, salvo a exceção – digamos aleatória – de Diego Pituca.

Jair Ventura insistiu com uma formação que tinha Alison, Renato e Vecchio até o limite do imaginável. Quando se deu conta que Renato e Vecchio não poderiam atuar juntos (e nem mesmo separados) tentou mudar. Cittadini, Jean Mota, Diogo Vitor e Vitor Bueno passaram pelo setor, mas nenhum foi capaz dar conta do recado, ora em função da oscilação do time como um todo, ora porque jogavam fora de suas funções/posições de origem. Eis que Diego Pituca ganhou espaço aos poucos no Brasileirão e tomou conta do meio de campo com cadência e qualidade no passe, algo que o santista nem lembrava que existia.

A demora no fechamento da negociação após a eliminação uruguaia nas quartas de finais do mundial era desesperadora. O Santos saiu fraco para a pausa da Copa e voltou pior ainda, com Jean Mota colecionando atuações patéticas e o esquema 4-2-4 montado pelo até então técnico Jair afundando o time na tabela. O dia 23 de julho marcou o anúncio da contratação de Sanchez e renovou a nossa pequena esperança de enxergar melhora em curto prazo, sentimento esse que foi esmagado após a não regularização do meia na Copa do Brasil (e de Bryan Ruiz também). Resultado: derrota na Vila Belmiro, vitória no Mineirão e eliminação nos pênaltis. Ficou o sentimento de que podíamos mais caso as mancadas da diretoria não tivessem acontecido.

Passado o vendaval que foi o início de agosto e já pegando ritmo de jogo, Sanchez pôde mostrar porque o santista poderia alimentar esperanças em uma nova fase, já sob o comando de Cuca. Senso de posicionamento excelente, participativo em todas as faixas de campo e com uma boa recomposição, capaz de ter deixado Cuca à vontade para variar do 4-3-3 para um 4-2-3-1, sempre com ‘Pato’ sendo o eixo da saída de bola e encarregado de leva-la ao ataque ao lado de Pituca, porém um pouco mais atirado ao ataque do que seu companheiro citado. A coroação foi a partida sublime diante do Vasco, no Maracanã, no início de setembro: uma assistência, uma bola na trave que correu sob a linha e merecia ter entrado, segurança, movimentação constante e um “leva e traz” incansável com e sem a bola. Não por acaso quando era substituído saía exaurido de campo e com a camisa molhada de suor.

Raça não falta ao uruguaio do Santos.

Nem o fatídico caso polêmico que levou o seu nome na Libertadores foi capaz de ter abalado a confiança do jogador ou o apoio da torcida em seu futebol. Nós santistas não somos tolos e sabemos que a junção de amadorismo da diretoria com a várzea e má vontade da CONMEBOL resultou no 3 a 0 dos tribunais para a primeira partida das oitavas de finais da Liberta. O curioso (porém não espantoso) foi justamente o uruguaio ter sido um dos melhores jogadores em campo na partida da volta, no Pacaembu, que terminou 0x0 e não foi encerrada devido ao clima de guerra protagonizado pela torcida nas arquibancadas. Mais uma vez ficou o gosto amargo de que podíamos mais.

O gol já era questão de tempo. Poderia ter saído contra o Sport, ainda em agosto, na chance cara a cara que teve. Mas quis o destino que depois de três jogos sem vitórias no Brasileirão, com dois empates modorrentos, o pênalti contra o Atlético-PR no último minuto há duas rodadas fosse convertido por ele. Com calma e qualidade, quase no ângulo do arqueiro adversário. E na sexta-feira passada seu chute despretensioso de fora da área contou com o desvio no jogador do Vitória para morrer no fundo da rede. Segundo gol seguido e segunda vitória seguida pelo placar mínimo que nos coloca de novo na ilusão de beliscar uma vaga para a Libertadores 2019.

Para o torcedor santista, quanto mais tempo durar o casamento com o camisa 7, melhor.

Sanchez entrega mais do que os recentes gols sugerem. Raça, qualidade e o encaixe perfeito na filosofia de jogo de Cuca são os principais ganhos que fazem do time, hoje, ser menos bagunçado do que o clube é – do ponto de vista administrativo. Lembra dos ínfimos momentos de alegria que o torcedor santista viveu, citado no início do texto? O quadro de Sanchez parece ser mais duradouro. Sorte a nossa que o teremos disponível para o clássico diante do Corinthians de Jair Ventura, no próximo sábado, e torcendo para que o contrato de três anos do camisa 7 seja um inteiro casamento de alegria com o Santos Futebol Clube. Tem tudo para dar certo.

Postado por Bruno Ferreira Santos Paulistano, 22 anos, jornalista em formação. Tem Santos no nome e no coração. Pivô de futsal nas "horas vagas". Ama jogadas ensaiadas e fintas de corpo.