Cansado da Europa, agora ele quer o mundo
15 de junho de 2018

 

Faltam adjetivos. O que o gajo de 33 anos fez em Sochi é qualquer coisa. Na plenitude do momento do gol de falta, o mundo realizou que ele não veio para esse Mundial como nos outros. Ele, talvez, esteja pronto para fazer sua grande Copa. Aquela que vai marcar seu nome para a história.

Se os – poucos – que o contestam alegam que ele tem aversão a jogo grande… tomem essa na cara. O maior jogo dessa primeira fase. Um verdadeiro celeiro de craques. E ele é o mais valioso grão. O jogador mais incrível do mundo na maior competição do mundo.

Ele veio para o jogo sedento. Era visível. Era palpável. O primeiro lance, os primeiros toques, os dribles, o pênalti, o gol. Tudo intenso demais. Como ele gosta de ser. Acordou a Espanha de seus muitos companheiros. Acordou também o seu time, talentoso, para a guerra.

Enquanto Diego Costa jogava água no fogaréu, ele preparava outro galão de gasolina. Ao apagar das luzes do primeiro tempo, ele apresentou um golpe fatal. Colocou De Gea em seu colo, e depois jogou-o bruscamente no chão. Falha miserável. Mas compreensível. Era ele, né?

Sedento. Fatal. Cristiano Ronaldo.

Diego Costa atua de bombeiro de novo. Nacho transborda de água o vulcão português. Um belíssimo gol, digno de desse começo incrível de mundial. A Espanha sentou em sua vantagem. Cris se resguardou por um tempo.

Mas ele estava lá para incendiar. Piqué fez falta no homem. Logo o Piqué, sua maior vitima.  Não muito perto, não muito longe. Ideal. Ele colocou ela na marca, olhou pro De Gea, que abaixou a cabeça. Olhou para a barreira, todos desviaram os olhares. Olhou para gol, que o chamou de amor. O chute. O movimento desesperado de Busquets ao tentar alcançar a bola metaforiza o espetáculo. O desespero de uma nação frente a um dos maiores da história.

Parece que até seus próprios companheiros não acreditam. Três gols. Artilheiro parcial da copa. Ele mostra que cansou de desfilar sua vilania por competições europeias. Seja Champions, Eurocopa. Ele quer mostrar ao mundo do que é capaz. Quer mostrar ao mundo que pode entrar na briga que Maradonna, Messi e Pelé travam.

Contemplemos. A instabilidade espanhola e a confiança portuguesa em seu maior ídolo. Cidade do Porto, Lisboa, Coimbra, Braga dormirão rezando pela imagem de Cristiano Ronaldo. A máquina de construir e destruir sonhos.

Postado por Igor Varejano 18 anos. Do interior de São Paulo. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha.