É que cada geração tem o Mané que merece
8 de outubro de 2019
Categoria: Futebol e Internacional

 

Mané, derivação linguística saborosa de Manuel.

Zé Mané, sinônimo de burro ou louco para alguns.

Nome que já nasceu com a responsabilidade de ser enorme. Garrincha é considerado para muitos o melhor jogador da história. Não pelos números, não pela postura fora de campo, não pela sua condição de atleta, não pelos gols, não pelos dribles… mas pela dor! Garrincha tinha as pernas tortas, um vício em bebidas e amava. Tinha dores que qualquer outro atleta se poria no chão e desistiria de ter prazer jogando bola. Mas Mané não. Ele ainda tinha a coragem de driblar todos os ignóbeis!

“O melhor jogador da história”.  Não o atribuo essa alcunha. Seria conferir a ele uma responsabilidade sacana demais. O melhor jogador da história. Não. Deixe isso para quem quer viver com essa sina para sempre, mesmo sem saber o valor que ela tem.

É que cada geração tem o Mané que merece. E a nossa pode-se dizer privilegiada. Um senegalês. Um metro e setenta e cinco de altura. A responsabilidade de carregar a camisa 10 de um dos maiores clubes do mundo. Sadio. Ainda que não são. Mas Sadio. Ponta-esquerda visceral. Criador e criatura. Faz parte de um trio que encanta por ser instável. Por ser impressionante. Por pressionar cada adversário até que esse não se aguente e ceda espaços.

Mané tem a função de espetar, fustigar o adversário. É dele o drible. É dele a criatividade e a loucura. Loucura porque as vezes teima em não acertar o gol. Mas isso é mal de Mané. A loucura é inerente a este tipo de personagem.

Mané é quem inventa no trio de ataque mais poderoso do mundo

Nascido em 92. 27 anos e mais de 150 gols na carreira. As más línguas dizem que se ele não fosse maluco, já teria os seus 300… Mané cria o tempo todo. É o tipo de jogador que não consegue ficar quieto. Está o tempo todo buscando um adversário para humilhar, um passe para entregar e um chute para surpreender. É um desses artistas que produzem tanto que se perdem dentro seus próprios mundos.

Apoiado por Andy Robertson, Sadio consegue fazer pela esquerda mais do que qualquer líder de revolução. Ele não esquece seus ideais. E os tem de maneira bem clara. Jogar futebol com a maior estética possível.

Não sei se quem esta lendo tem na lembrança o deleite de se assistir um grande craque vestir a camisa de seu time. Mas um grande craque mesmo. Destes da altura dos Manés. Um experiência única. Uma experiência, por si só. Os olhos brilhando e o coração cheio do que as pessoas chamam de alegria. É incrível como as passadas, calculadas ou não, avançam sempre para o gol. Objetivo sem ser chato e entediante. Tarefa muitas vezes enxergada como complicada nesse futebol em que os números gritam mais alto sobre o abismo do talento.

Porque que o talento é um abismo. Só atinge a total potencialidade quando se permite cair. E nesses tempos, todos tem muito receio da queda. Todos tem muito receio da dor. E ai, só quem é um Zé Mané consegue se entregar sem sentir medo. Garrincha e Sadio, dois dos que se jogaram sem medo no abismo do talento.

Mané carrega com tranquilidade o peso de um país nas costas

Assim como o brasileiro em 66, o senegalês também carrega consigo a missão de levar a glória de um país em suas costas. E a impressão que se tem é que ele lida com isso de forma muito natural. O que para alguns pode parecer um grande fardo, para quem já lutou contra a desigualdade jogando bola, é só mais um desafio. Por isso que talvez ele defina sua carreira e suas decisões dessa forma: “Agora estou aqui, sem arrependimentos, vivendo meu sonho”.

O melhor jogador do mundo? Não, não. Não seria irresponsável a esse ponto. Deixe isso para quem quer viver com essa sina para sempre, mesmo sem saber o valor que ela tem.

Postado por Igor Varejano 18 anos. Do interior de São Paulo. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha.