Bom humor e paixão pelo futebol – Marco Bianchi
5 de janeiro de 2018
Categoria: Entrevistas

Reprodução: Youtube.

 

Marco Bianchi ficou conhecido nacionalmente como um dos comandantes do Rockgol, um campeonato de futebol entre cantores e bandas organizado pela MTV. Ele, ao lado de Paulo Bonfá, fazia a cobertura dos jogos, ficando com a incumbência de comentar as peladas. A dupla comandou o programa por longos anos, entre 1997 e 2008, excetuando-se o ano de 1998. A partir de 2003 também comandavam um programa de estúdio, de mesmo nome, onde recebiam convidados diversos, entre cantores e jogadores de futebol. Imitado até os dias de hoje, Marco afirma que foi bastante demorado para moldar o “comentarista-personagem”, que teve várias influências:

“Eu levei um tempo até montar esse personagem com minha cara e meu nome, foi difícil! Fui juntando as manias do Avalone, os trejeitos e a voz do Gerson Canhotinha de Ouro, os gracejos do meu ídolo Osmar Santos, o adevoguês irritadiço do velho Dalmo Pessoa…”, conta Marco, que também faz questão de garantir que, para ele, a ideia de fazer jornalismo esportivo sacaneando o próprio jornalismo esportivo era o ponto mais legal do programa:

“O mais bacana é o conjunto da obra, o universo paralelo repleto de personagens semi-fictícios, ‘Birigui A Massachussets Brasileira’, jabás fakes, falas marcantes, fatos inusitados e imprevisíveis, estrutura impecável de produção”.

Com toda a bagagem de comentarista que adquiriu por esses anos, o comediante também elege os que ele mais gosta no cenário atual, e faz questão de dizer que é difícil de ser agradado. “Sou deveras crítico, implico com quase todos, mas gosto muito do Caio Ribeiro e do William Capita… e sempre fui fã da crônica e do texto de Roberto Avalone, ele que (além de bom jornalista) é também comediante, no bom sentido”.

Marco Bianchi e Paulo Bonfá fizeram uma dupla inesquecível comandando o Rockgol na MTV

Fazendo humor desde o início de sua carreira, na rádio, Marco sempre abordou assuntos que lhe interessavam, e o futebol era um deles. Desde a Rádio USP, em 1992, ele mostra sua criatividade criando sátiras de conteúdos relacionados ao esporte, e conta como e quando se apaixonou por futebol:

“Lembro nitidamente de estar ouvindo um jogo do Palmeiras no rádio, em 1978, aos seis anos de idade. O jogo era contra o Guarani. O Leão fez pênalti no Careca e o Escurinho foi para o gol. Sempre curti muito o Palmeiras, ouvia no rádio, lia no jornal”. Mas quando perguntado sobre o momento atual do Palestra, mostra certo descontentamento, principalmente sobre a falta de planejamento no ano de 2017. “Um time que em novembro ainda estava sem titulares firmes é efeito de um planejamento ruim. Isso após terem achado a casa em ordem”.

Porém, ao ser perguntado sobre futebol europeu, usa todo seu bom humor característico e deconversa. “Entre os campeonatos europeus, meu preferido é o gaulês, em respeito a Ney Maravilha e, por que não, aos gauleses sob o comando do chefe Abracurcix.”

Dede sempre apaixonado por futebol, Marco busca encaixar novos projetos que reúnam humor e esporte

No Rockgol de estúdio, ele e Paulo Bonfá receberam muitos convidados ao longo dos anos, e Marco faz questão de destacar alguns que para ele foram especiais, como “São” Marcos, Neymar, Nasi (vocalista do Ira!), Kiko Zambianchi. E também cita o saudoso treinador Caio Júnior. “Ainda tive a honra de ficar amigo do Caio Júnior, que era ótima pessoa e um elo entre o esporte e o mundo ‘normal’”.

Marco acredita que os momentos em que mais cresceu na carreira foram no rádio, principalmente entre 1995 e 1999, e na MTV foi onde colheu os melhores frutos de seu trabalho até hoje. Também conta que tem muitos projetos e está buscando parcerias para novas empreitadas. “Tenho um baú lotado de projetos e até aqui nenhum interessado em adquiri-los (risos). Mas um dia quem sabe… Estou tratando de fazer minha parte para que novas empreitadas surjam”. Apesar da vontade de tocar novos projetos, o ex-apresentador do Rockgol admite que tem certa dificuldade na questão comercial, o que acaba prejudicando no competitivo mercado atual. Quando toca no assunto YouTube, ele não é muito amigável, e até afirma manter seu canal ”por obrigação”, já que não tem dinheiro para investir em publicidade e, com isso, não torna o trabalho rentável nem para ele e nem para o site:

“O Youtube é uma empresa que vende a promessa de fama súbita para anônimos, portanto a eles não interessa que alguém como eu, já conhecido e macaco-velho, esteja em destaque no canal”.

Para finalizar, Marco agradece, faz uma promessa e um pedido. “Grato pela oportunidade de dividir essas histórias. Por favor, visitem meu site marcosdobrasil.com.br, onde vou mantê-los a par de meus novos projetos e possibilidades. Quero trabalhar por mais 45 anos, pelo menos. Abraços efusivos, beijos nos cérebros!”

Postado por Leonardo Tudela Del Mastre Natural de Sorocaba-SP, amante do futebol do interior paulista e torcedor de São Bento e Corinthians. Além do amor pelo interior, viciado no futebol como um todo. Formado em Processos Gerenciais pelo IFRS.