Batalhadora, guerreira e histórica – Rosana
23 de abril de 2019
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Multicampeã no Brasil e na Europa, Rosana esbanja experiência e coleciona momentos inesquecíveis na sua coroada carreira. Em declarações bastante sensatas, a agora ex jogadora revela o que espera da Copa do Mundo deste ano e aponta alguns dos vários problemas do futebol feminino em um país como o Brasil. Confira na íntegra:

1-Com uma carreira tão extensa e cheia de histórias pra contar, nos diga as três melhores jogadoras que você jogou contra. Não vale nenhuma brasileira.

Kelly Smith( Inglaterra), Christie Rampone (EUA), Megan Rapino( EUA)

2-Após toda uma geração estar enfim se dissipando por completo, uma nova safra pinta na amarelinha. Pra você, quem será o próximo grande talento do futebol feminino no Brasil?

Ludmila pela força e velocidade, além de ser um ótimo ser humano.

3-Você já jogou de lateral, ala, meio campista e terminou como atacante. Qual é o valor de ser polivalente no futebol atual? Em que posição você se sentia mais a vontade, por que?

Hoje em dia ser polivalente é imprescindível! No futebol moderno se cumpre funções, não apenas posições, por isso é de suma importância que se compreenda como se portar em qualquer setor do campo.

4-Como é a relação com a treinadora Emily? Após aquela grande polêmica da demissão dela do comando da seleção e todas as consequências disso, ela te trouxe pra jogar no Santos (de atacante), algum tempo depois. Trabalhar com ela faz diferença?

A minha relação com a Emily sempre foi muito boa, até porque já tínhamos jogado juntas no começo da carreira. Ela é uma estudiosa do futebol, tá sempre progredindo nos conceitos de jogo. Com certeza facilita trabalhar com ela pelas ideias de jogo, entendimento e a forma que explana o que quer do time. Além de ser super exigente!

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Emily e Rosana se entendem muito bem no campo.

5-Sua vida pessoal esteve em foco quando inesperadamente seu noivo veio a óbito, fato que inevitavelmente abalou suas estruturas. Hoje, você declara que conseguiu tirar forças da superação para seguir a carreira e lutar ainda mais, etc. Alguns jogadores se perdem totalmente após baixas importantes na vida pessoal, Adriano Imperador fala com pesar até hoje do quanto isso mudou sua carreira, você em algum momento teve medo de não conseguir mais trabalhar como antes?

Com certeza esse momento juntamente com a morte do meu pai 6 meses antes foram os piores da minha vida. É bem difícil a aceitação e não temos plano B para fatalidades, mas, com certeza já dei a volta por cima e posso afirmar que sou uma pessoa melhor hoje. Me tornei mais forte, penso mais a curto prazo e sou mais intensa em tudo o que faço.

6-O futebol feminino cresce no mundo inteiro, praticamente. Porém, pouquíssimo no Brasil. Alguns profissionais defendem algumas mudanças nas regras em comparação com o masculino, como um campo menor, traves menores e menos tempo de jogo. Qual a sua opinião sobre isso?

Não acho que as regras devam mudar, até por uma questão de logística, dificilmente teríamos estádios só para mulheres. O que acho que é necessário de fato mudar, é a gestão desse processo. Precisamos de comissões e atletas mais bem preparadas e isso envolve a formação desde a infância. As meninas precisam jogar mais, precisam ganhar uma bola assim como os meninos já quando começam a andar. Com certeza isso nos deixaria com menos defasagem em relação aos meninos e não precisaríamos jamais, mudar as regras do jogo.

7-Foram anos e anos de seleção brasileira, por vezes entrando com grandes chances de título em competições de topo. A frustração de nunca ter vencido uma Copa ou Olimpíada, é grande? Por que o caneco não veio, ao seu ver?

Acho que não tenho nenhuma frustração na minha vida, enquanto atleta nessa questão de títulos. Não veio, porque alguém mereceu mais do que nós. Quando tivemos um planejamento decente no Brasil comparado a outras seleções que conseguiram esse feito? Acho até mesmo que conseguimos alcançar algo inimaginável com o pouco que tínhamos.

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Sem arrependimentos.

8-Você frequentemente se especializa mais em questões técnicas do esporte e afins. É um plano seu seguir esse ramo? O que tem feito após pendurar as chuteiras?

Sempre fui uma pessoa que gosta de estudar, obviamente passei a minha vida toda no futebol e nada mais justo do que continuar contribuindo. Seria até uma forma de mostrar a minha gratidão, além de já estar inserida no meio e ter vivenciado tantas experiências que podem ser úteis para o desenvolvimento da modalidade. Eu tenho feito muitos cursos de gestão, de treinadora como UEFA C, CBF B e provavelmente a CBF A nesse ano e UEFA B também, cursos de Scoutting, além de palestras sobre a minha história e a história do futebol feminino brasileiro. Hoje trabalho para uma empresa chamada ARF assessoria esportiva, especializada no agenciamento de jogadores de futebol masculino e em breve, feminino.

9-2019 é ano de Copa do Mundo feminina, como estão suas expectativas? Quem vence?

A minha expectativa é que essa copa seja a melhor de todas na questão de divulgação e mercado para o futebol feminino, talvez não a mais talentosa, mas provavelmente a mais vista e organizada. Acho que tem algumas favoritas, mas a França por estar fazendo um bom trabalho já há um longo período e o fator casa, seria a minha aposta. Apesar de o futebol ser um esporte apaixonante justamente porque nada é exato.

10-Campeã da Libertadores, Champions League, título é o que não falta pra você. Qual deles foi o mais importante na sua opinião?

Todos os títulos foram importantes, cada um em seu momento, eu diria que as conquistas que mais me marcaram foram a prata de 2004 na Olimpiada de Atenas pelo contexto geral. Com as pessoas conhecendo mais o futebol feminino e pela forma como jogamos, e o Pan em 2007 por ter ganhado a medalha de ouro diante de 70.000 pessoas num Maracanã completamento lotado e com a minha família presente.

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Em 2004 o Brasil conhecia mais do futebol feminino.

11-Agradecemos pelo tempo nos dado e desejamos toda sorte do mundo pra você! Faça suas considerações finais.

Agradeço pela entrevista. Normalmente gosto de deixar uma mensagem para os jogadores e jogadoras mais novas. “O sonho é o oxigênio do ser humano. A partir dele, trace metas, seja perseverante e disciplinada. Não deixem que te imponham limites!”

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.