Após a ilusão e a frustração, o Santos clama por reformulação em 2018
5 de dezembro de 2017
Categoria: Futebol e Nacional

Yuri Alberto, Rodrygo e Emerson Batista. Novos meninos da Vila a caminho?

 

Afirmo categoricamente e, acredito, devo representar o sentimento de outros milhares de santistas: 2017 foi o ano futebolístico no qual eu mais me iludi com este clube. O time reforçado e a continuidade do até então bom trabalho do Dorival Junior animava o torcedor, mas a impressão final é de uma temporada decepcionante e que escancarou a necessidade do Santos de reformular o plantel, isso se quiser sonhar (sim, inicialmente apenas sonhar) com o alvinegro praiano fazendo bonito em 2018.

O enfoque inicial vai de encontro aos veteranos do elenco. Renato é um ídolo incontestável e, brincadeiras à parte, jogou de terno até a temporada passado. O Renato versão 2017 simplesmente não existiu, ora pela sua posição sobrecarregada no esquema por vezes ‘kamikaze’ de Dorival, ora porque seu corpo já não dava sinais de aguentar o ritmo intenso e a sequência de partidas. Até para que sua imagem seja preservada, melhor ser subutilizado no Paulistão do ano que vem e terminar a carreira da forma mais honrosa possível com uma homenagem à sua altura (alô, diretoria!).

O corpo, aos poucos, parece não responder para Renato.

Ricardo Oliveira foi, sem dúvida alguma, o homem mais importante no renascimento do Santos após a saída de Neymar em 2013. Recolocou o clube na briga por títulos nacionais com incontáveis gols e sempre representou a tarja de capitão que carrega (ou, ao que tudo indica, carregava) no braço. Porém o ciclo do ‘Pastor da Vila’ dá claro sinais de ter chegado ao fim. Não rende como antes (embora mesmo assim tenha marcado alguns gols importantes nessa temporada), o corpo dá indícios de não suportar o calendário absurdo de jogos e os recentes entraves com a diretoria parecem acenar para a não renovação do vínculo do camisa 9. Sairá por cima, caso realmente se desvincule.

Alguns remanescentes dos últimos vice-campeonatos nacionais que conquistamos também estão com a cota batida. David Braz é um exemplo, fez um 2017 regular, em determinados momentos foi referência no miolo de zaga, mas tê-lo no time titular significa que o elenco não é lá essas coisas. É um defensor de qualidade contestável, convenhamos. Victor Ferraz não joga há, sem exagero algum, um ano e meio. Inexistiu no Brasileirão do ano passado e sua atual temporada foi tenebrosa. Formou um belo triângulo ofensivo outrora na direita, ao lado de Gabigol e Lucas Lima, mas hoje não é sombra do que foi em 2015. Daniel Guedes está em um momento melhor, aparenta ser capacitado e pede passagem na posição. Lucas Lima já acertou com o Palmeiras e eu nem precisaria explanar aqui as justificativas para não renovar com o meia, claramente desgastado com a torcida. A única perda sentida é Zeca, que estava vivendo má fase, mas que é jovem, já mostrou potencial e sai da pior maneira possível: brigado com a torcida e sem ao menos dar retorno financeiro aos cofres – ao menos em seu estado atual de litígio com o Santos na justiça.

Zeca será uma perda bastante sentida na Vila.

Além dos já citados, Kayke não terá o vínculo de empréstimo renovado e, francamente, não deixará saudades. Leandro Donizete, Lucas Crispim e Serginho, com todo respeito, não podem servir de opção no banco para quem quer que seja o técnico do Santos na temporada que vem. Rodrigão volta de empréstimo do Bahia e ainda não se sabe se será reintegrado para a disputa dos campeonatos que virão. Contudo, é limitado e displicente com sua forma física (fator este que pode, sim, pesar ao longo de um ano de seguintes competições importantes).

Como só falei de dispensas até agora, comentarei sobre alternativas e necessidades para a gradual reformulação – que não ocorrerá da noite para o dia, evidentemente. O Santos não tem caixa para investir pesado no mercado. Primeiro é necessário entender as demandas principais do plantel para, enfim, cogitar as possíveis reposições. De imediato, um lateral esquerdo e um camisa 10 qualificado para o time titular. Já firmou vínculo com Romário, lateral destaque do Ceará na campanha da Série B, e que chega com um certo desconhecimento por parte da torcida (e de mim também, confesso). Tem o Caju no banco, que vive seus altos e baixos e creio que pode tapar alguns buracos ali. Para a lacuna deixada por Lucas Lima ainda não se sabe de possíveis nomes que interessam ao peixe, e essa é, para mim, a principal contratação que o Santos necessita fazer para 2018. O jovem da base Lucas Lourenço, de 16 anos, acena para o futuro no meio de campo, contudo ainda é ‘cru’ em termos profissionais.

No que classifico como “prioridade secundária” estão as posições de volante e centroavante. Alison e Matheus Jesus me agradam, mas para cobrir suas inevitáveis ausências o banco tem que ser qualificado, principalmente no que tange à característica essencial de uma boa saída de bola. E como a base é sempre o nosso refúgio, Victor Yan, de 16 anos, deve ser promovido aos profissionais com a chancela de promessa no setor. Tomara que vingue. Yuri Alberto é jovem e pode render frutos, mas claramente não está pronto para ser alçado ao posto de titular no ataque. Necessita de uma referência que o ensine e, quem sabe até, reveze o posto, principalmente no Campeonato Paulista. Não me esqueci de Rodrygo, atacante também oriundo da base e que carrega uma expectativa elevada de seu potencial. Deve ganhar mais chances ano que vem.

Quanto aos não citados até agora, o gol não preocupa. A dupla Vanderlei e Vladimir não deixa dúvidas quanto à segurança. Veríssimo (grata surpresa no ano), Luis Felipe e Gustavo Henrique são elogiáveis. O polivalente Jean Mota e o meia Vecchio devem permanecer e até torço por isso, mas precisam ser utilizados da maneira correta, uma vez que em 2017 Mota foi mais lateral que meia e Vecchio foi sobrecarregado na criação. Bruno Henrique dispensa comentários por toda sua qualidade em criar e ser decisivo, Arthur Gomes é útil e Copete, por mais que erre muito, tem alguns predicados que me agradam (polivalência, vontade e estrela).

Jean Mota pode ser bastante útil em 2018.

Por fim, não esqueçamos que tão importante quanto os jogadores é o corpo gestor do futebol por trás dele. E o Santos vive tempos de incerteza. No sábado que vem (9) ocorrerão as eleições para a presidência do clube e, até o momento, nem mesmo temos ideia de quem será o técnico para o próximo ano.

É torcer (e rezar!) para um bom mandato da presidência acompanhado da escolha de um técnico que resgate nossas raízes ofensivas (42 gols no Brasileirão 2017 é baixíssimo para o clube mais artilheiro da história), sem queimar os meninos da base que precisam de espaço e cancha e que coloque o Santos novamente no lugar mais alto do pódio. Pois a saudade de grandes conquistas bate cada vez mais forte na nossa porta após cada frustração e ilusão criada pelo time que poderia ir mais longe do que foi nos últimos tempos.

Postado por Bruno Ferreira Santos Paulistano, 22 anos, jornalista em formação. Tem Santos no nome e no coração. Pivô de futsal nas "horas vagas". Ama jogadas ensaiadas e fintas de corpo.