Afastando desconfianças
7 de julho de 2018
Categoria: Futebol e Seleções

 

As duas seleções que se classificaram nesta sexta-feira para a semifinal da Copa do Mundo tem algumas coisas em comum. O idioma francês, jogadores muito talentosos nos seus elencos e técnicos contestados. A principal desconfiança das pessoas com essas seleções antes da Copa começar recaía sobre Didier Deschamps e Roberto Martínez, que não eram vistos como profissionais capazes de fazerem França e Bélgica, respectivamente, desempenharem o máximo que se esperava delas.

A França realmente passou por algumas dificuldades ao longo da competição e chega a semifinal muito graças ao talento individual dos seus jogadores. Já a Bélgica fez uma campanha muito convincente na fase de grupos, porém enfrentando duas seleções de nível bem baixo em comparação com o seu futebol. Entretanto, duas goleadas numa Copa onde as grandes seleções estão tendo dificuldade de fazerem placares largos, muito por conta da disciplina tática das seleções menores, é algo de se elogiar, e mostra a principal característica de Martínez, que é da escola de Guardiola e gosta e priorizar o ataque. Esse era o principal destaque do seu trabalho no Everton, inclusive.
Mas a provação e afirmação de Martínez está aparecendo realmente é na fase de mata-mata. Enfrentando um disciplinado e muito organizado Japão, o técnico espanhol foi, de certa forma, pego de surpresa com os nipônicos fazendo 2×0 nos primeiros dez minutos do segundo tempo e escancarando as fragilidades defensivas da Bélgica, principalmente o espaço que a equipe dava na entrada da área, que permitiram muitas finalizações do Japão, incluindo o segundo gol marcado por Inui. A partir desse momento, Martinez mostrou ótima leitura de jogo colocando Fellaini no lugar de Mertens para preencher melhor o centro do campo e permitir que De Bruyne jogasse mais avançado. E também colocou Chadli no lugar de Carrasco, que não estava bem jogando como ala esquerdo. E Fellaini e Chadli não só melhoraram o futebol da equipe como marcaram os gols de empate e virada, respectivamente.

Deschamps também chegou cercado de desconfiança na Rússia.

E para o jogo contra o Brasil Martinez promoveu mudanças que permitiram aos Diabos Vermelhos avançarem para a semifinal fazendo um grandes jogo, principalmente no primeiro tempo. As duas principais mudanças foram defensivas: a linha de três zagueiros foi desfeita, porém com os três jogadores mantidos como titulares, mas agora com Vertonghen como lateral esquerdo, dando mais segurança defensiva do que Carrasco, que foi sacado do time.
No meio de campo Witsel ganhou a companhia de Fellaini, dando uma proteção muito maior para a entrada da área, que foi um problema contra o Japão e que não poderia se repetir contra um Brasil que tem Coutinho excelente na finalização de longa distância e Neymar que costuma cortar para o meio. Na parte ofensiva, um De Bruyne como falso 9 para explorar as entrelinhas do Brasil e um Lukaku aberto pelo lado direito confundiram a defesa brasileira. Nos contra ataques quase sempre os belgas ficavam em igualdade numérica e com alguém, normalmente o Lukaku, livre pelo lado esquerdo, pois a recomposição do Marcelo não acontecia. E com Hazerd e Lukaku abertos enquanto De Bruyne se aproximava com a bola pelo meio a dupla de zaga não sabia o que fazer. O resultado só não foi mais favorável para a Bélgica porque Miranda cobriu com maestria os espaços que Marcelo deixava, principalmente no segundo tempo ganhando a maioria dos duelos contra o Lukaku.

Imagem frequente no jogo: Hazard e Lukaku com liberdade pelos lados enquanto De Bruyne avança

A partida contra o Brasil foi para tirar, ao menos que um pouco, a desconfiança com Roberto Martinez, que mostrou não se prender a uma única formação ou estilo de jogo e ter ótima leitura de jogo. Numa partida que foi um dos maiores momentos da sua carreira ele mostrou ter qualidade e conhecimento para estar a frente da seleção belga, que não perde desde 2016, em amistoso contra a Espanha na estreia do técnico espanhol.

Postado por Wallas Vieira Técnico em Edificações, cursando Administração. Torcedor de Flamengo e Liverpool. Fã da intensa Premier League e do tático campeonato italiano. Gosta de táticas, crônicas e número sobre o futebol.