A voz e a vez delas #01 – Introdução
7 de janeiro de 2019

 

Atualmente, por meio das mídias sociais, diversas situações discriminatórias já foram denunciadas, colocando em pauta vários tipos de assédios sofridos por mulheres que atuam na área esportiva. Durante a série “A voz e a vez delas” que falará sobre a mulher no jornalismo esportivo num contexto geral, abordaremos eventos como a Copa do Mundo 2018 e a campanha #DeixaElaTrabalhar que foi lançada no início de 2018. Entrevistas com várias mulheres inseridas neste meio, durante os textos da série, vão nos ajudar a entender melhor esse cenário.

Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, feita em 2017, indicou que 42% das mulheres entrevistadas já sofreram assédio sexual – esse número pode ser maior, como indicam outras pesquisas recentes. Trazendo dados sobre o nosso assunto, a diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Maia Menezes, realizou pesquisa onde mostrou que 86% das mulheres entrevistadas já vivenciaram discriminação de gênero relacionadas ao seu trabalho, seja em disparidade de salários, oportunidades de empregos e ascensão profissional.

Essa pesquisa, intitulada “Mulheres no Jornalismo Brasileiro”, também mostra que pelo menos 73% das jornalistas entrevistadas já teriam recebido comentários de cunho sexual em ambiente de trabalho, 92,3% relatam ter ouvido piada machista e 46% das mulheres entrevistas não encontraram apoio ou rede de denúncia na empresa.

No início do ano de 2018, como resposta a episódios seguidos de assédio, diversas profissionais da área decidiram produzir vídeo onde 52 jornalistas conhecidas no esporte inauguraram o movimento #DeixaElaTrabalhar, com o objetivo de denunciar o assédio moral e sexual sofrido por elas nos estádios, nas ruas e nas redações.

Repórter Bruna Dealtry foi assediada durante partida do Vasco em março de 2018

O episódio que foi o “estopim” para o início da campanha das jornalistas, aconteceu com Bruna Dealtry. A jornalista – que será uma das mulheres que testemunhará no decorrer de nossa série – estava numa aparição ao vivo no Esporte Interativo (hoje ela trabalha na Record) durante a partida entre Vasco e Universidad de Chile, pela Libertadores 2018, quando foi beijada por um torcedor vascaíno. Mesmo diante do constrangimento a jornalista continuou a transmissão, depois desabafou em seu Instagram e alguns dias depois foi divulgado o início do #DeixaElaTrabalhar.

Ao longo da série vamos discutir diversos casos de assédio e preconceito que mulheres sofrem no jornalismo esportivo, com testemunhos de profissionais qualificadas e tentar mostrar que esse ainda é um problema – sim, um problema, que precisa ser combatido. Tanto no jornalismo quanto na sociedade de modo geral.

Postado por Júlia Gracioli Jornalista, 22 anos, Ribeirão Pretana e apaixonada por histórias de superação no jornalismo esportivo feminino.