A semifinal Tottenham x Ajax marca um novo momento do futebol europeu
21 de abril de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

 

A classificação do Tottenham naquele que foi certamente um dos maiores jogos da história da UEFA Champions League pode marcar um novo momento no cenário do futebol europeu. Não foram poucas as novidades que vimos ao longo dessa Champions (e que ainda poderemos ver nas cinco partidas que restam).

Tottenham, Ajax e Liverpool são semifinalistas. Manchester United e Porto estavam nas quartas de final. Dizer isso há cinco ou seis anos atrás era algo inviável, passível de muita zoação. Bom, o tempo passou, e o cenário mudou. Dos oito quadrifinalistas, metade eram ingleses. (E nenhum deles era o Chelsea, o último britânico campeão). O Bayern e o Atlético de Madrid pararam nas oitavas, dois times que desde 2013, marcaram presença nas semifinais oito vezes (o Bayern cinco e o Atleti três). O Real Madrid, que dispensa comentários, parou nas oitavas. O único “medalhão” na história é o Barcelona, que mesmo assim não figurava entre os quatro semifinalistas desde 2015, quando foi o campeão. Mais inacreditável ainda é pensar que veremos Tottenham ou Ajax no Wanda Metropolitano. Quem apostaria em uma final que tivesse algum desses dois?

Talvez seja cedo para falar em queda de reinado espanhol, visto que pra muitos o favorito ao título é exatamente a equipe catalã. Mas há de se destacar alguns pontos, e começo usando a equipe da baviera como exemplo.

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Temporada de adaptação do croata.

O Bayern de Munique, tenta requintar o seu futebol desde quando contratou Guardiola. Foram anos de excelente desempenho, sem resultado na Champions. Veio Ancelotti, que não fez bom trabalho. Agora, Niko Kovac parece ter um futuro, depois de muita turbulência. O Atlético de Madrid vai perdendo o fôlego. Já não tem a mesma imposição tática de 2014, quando esteve a segundos de conquistar a Liga dos Campeões e foi impedido por Sergio Ramos. Há quem diga que Simeone, ídolo máximo dos Colchoneros, está de saída, tal como Griezmann, o melhor jogador da equipe.

O Real Madrid foi um vexame completo e a volta de Zidane não parece ser milagrosa. Há de se aguardar a próxima temporada. O Barcelona, por mais eficiente que seja – e essa eficiência poderá trazer o título da Champions – não pratica mais um futebol encantador. Muitas vezes é salvo por Messi, que, por mais doloroso que seja admitir, vive os últimos anos de sua espetacular carreira.

Agora, falemos um pouco sobre as novas figurinhas do velho continente:

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O desespero pós clímax.

Guardiola chegou à Premier League em 2016. Uma temporada desastrosa inaugurou sua passagem e culminou numa janela de total reformulação, resultando, na segunda temporada, naquela que possivelmente foi a melhor campanha da história da Premier League (tanto em números, quanto em desempenho). E, por mais que os ‘haters’ de Pep neguem, a presença do mesmo fez com que os demais times do país exigissem de si mesmos um futebol com mais predicados. Klopp já estava no Liverpool, entretanto, a melhora absurda do desempenho dos Reds se deu junto ao título da liga por parte do City. O mesmo vale para o Tottenham, que pelo visto vê o trabalho de Pochettino finalmente destruir a fama de ‘amarelão’ dos Spurs na Champions. O Chelsea, que foi campeão da liga com um futebol pragmático praticado por Antonio Conte, trouxe Maurizio Sarri, que talvez seja o treinador mais próximo de Guardiola na Europa e no mundo. O próprio Arsenal, muito depois do que deveria, se divorciou de Arséne Wenger e trouxe Unai Emery, que não é nada espetacular, mas já trouxe uma significativa melhora de rendimento aos Gunners. Isso tudo é contemporâneo a um novo momento dos ingleses no cenário europeu: metade dos representantes nas fases decisivas da Champions é da Inglaterra. Há alguns anos, no máximo o Chelsea chegava mais além.

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A Juventus, apesar de mais uma vez cair precocemente, trouxe Cristiano, e vai tentando melhorar seu futebol e suas campanhas europeias.

Até mesmo o PSG, que inexplicavelmente foi derrotado de novo nas oitavas, em algum momento deverá fazer uma grande campanha.

É, pode até ser cedo. Mas não é inimaginável se pensar em novos protagonistas no futebol do Velho Continente.

Postado por Pedro Guevara