A primeira segunda-feira de cinzas do ano
21 de janeiro de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Nacional

 

Se passou o período de grande espera dos fãs do esporte bretão, o futebol voltou e voltou daquele jeito manso, pitoresco, engatando a primeira marcha e saindo bem devagar do lugar, como acontece todos os anos. Os tortuosos dias em que ficamos sem a chamada para algum jogo pelas tardes de domingo, chegaram ao fim.

No fundo talvez já soubessemos que seria tediante e insosso o começo dos estaduais, que nos sentaríamos a frente da TV com uma bebida gelada, talvez algum familiar por perto, comendo o resto do almoço e com o calor que assola o Brasil nesta época, se fazendo presente. Inicialmente empolgados, nos animaríamos com os primeiros passes, “que saudade do meu time”, diz o coração.

Com o decorrer do jogo, um certo desconforto surge ao perceber a inércia dos atletas voltando ao ritmo ideal, as mesmas caras com os mesmo problemas de sempre, um ou outro espasmo de emoção e o sonoro vazio entre os minutos sem objetividade. Os gritos da torcida, na maioria das vezes em número pequeno, se perdem em poucos segundos, a saudade já foi sanada antes mesmo do apito final. O pós jogo é lento e arrastado, mudando incessantemente de canal para ver as mesmas coisas, enquanto o torcedor da arquibancada faz a sua volta de uma maneira depressiva e cotidiana, a primeira de muitas voltas que irão se repetir ao ano, que grande preguiça.

Como não poderia deixar de ser, as entrevistas coletivas com os backdrops ilustrando um ou outro patrocinador novo acontecem quase com o mesmo enrendo: Para uma volta aos campos, não foi tão ruim, agora é recuperar o ritmo de jogo e trabalhar pra ir evoluindo com o passar do torneio. Típico, você com certeza teria capacidade de dizer a mesma coisa.

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Clássico.

Com o sentimento de que o ano começou de verdade agora, o torcedor dorme feliz. Não pela monotonia que dominou seu dia, mas pela certeza de que a menina dos seus olhos continua ali, ainda que cheia de problemas e chata ocasionalmente, pronta para encher de emoções -sejam elas boas ou ruins- seus adeptos que vivem cada sentimento proporcionado por este jogo.

No outro dia, no trabalho ou na escola, o torcedor tem um novo velho assunto para colocar na mesa.

Futebol.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.