A mudança de postura do PSG na atual janela de transferências
5 de agosto de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

 

Desde que foi comprado pelo grupo QSI (Qatar Sports Investment), o Paris Saint-Germain sempre gastou muito para trazer os melhores jogadores possíveis para a equipe – primeiro, para estabelecer o time da capital como a principal força dentro do país, depois, para tentar vencer o principal torneio de clubes da Europa, a Liga do Campeões. O objetivo inicial já foi alcançado, mas o segundo ainda parece bem distante de ser realizado.

Dentre as grandes contratações do time francês, algumas que podemos citar são a de Ibrahimovic, que chegou em 2012 junto com Thiago Silva, dando início à essa nova era do clube parisiense; no ano seguinte chegou Cavani, uma compra que dava indícios da falta de análise dos dirigentes do clube, já que o uruguaio joga na mesma posição que o astro sueco. Outras duas contratações que também demonstraram essa certa falta de planejamento foram as chegadas de Neymar e Mbappé, visto que os dois jogam pela ponta esquerda, mesmo que o francês também consiga atuar bem pelo lado direito.

Enquanto o ataque e a defesa iam sendo reforçados temporada após temporada, o meio era negligenciado, chegando ao ponto em que, com a aposentadoria de Thiago Motta, o time passou a contar apenas com Verratti como jogador capaz de atuar como primeiro volante na temporada passada. Com os problemas de lesões do italiano, entretanto, Tuchel teve que achar uma solução dentro do próprio elenco. E ele encontrou no zagueiro Marquinhos, que foi improvisado no meio. O brasileiro foi muito bem nessa nova posição, mas isso fez com que a dupla titular da zaga tivesse que ser desfeita e Kehrer e Kimpembe, zagueiros promissores, mas ainda inexperientes, atuassem ao lado de Thiago Silva.

Nessa atual janela de transferências a postura dos dirigentes do clube mudou e as contratações estão mais focadas no meio de campo. Além disso, os investimentos estão bem menores do que se acostumou a ver nas últimas temporadas. As principais contratações feitas até o momento pelo clube parisiense foram:

Idrissa Gueye: volante que estava no Everton e custou €32 milhões;

Pablo Sarabia: meia atacante que chegou do Sevila e custou €18 milhões;

Ander Herrera: meia vindo do Manchester United a custo zero;

Abdou Diallo: zagueiro que chegou do Dortmund por €32 milhões.

Das quatro contratações, três são meio campistas, o que mostra um melhor planejamento da equipe para contratar. Nenhum deles está entre os melhores de sua posição ou é um jogador de peso e nome, ou seja, não são grandes estrelas – talvez apenas Herrera, que teve uma passagem muito boa pelo United. Entretanto, além de encorpar o elenco do PSG, que não costumava ter tantas opções no banco, todos permitem que Thomas Tuchel tenha mais possibilidades de variar as formações e estratégias da equipe, algo que já é uma característica dele, mesmo quando não teve um elenco com muitas opções.

Podemos pegar de exemplo a própria temporada passada, onde além da já citada utilização de Marquinhos como volante, ele também testou, com sucesso, Neymar jogando pelo centro numa função mais de armador.

Mesmo com poucas opções no elenco Tuchel variou muito a formação da equipe.

Caso a caso

Gueye nunca esteve dentre os jogadores mais comentados e que mais chamassem a atenção na Premier League, mas sempre foi um dos melhores volantes do campeonato, principalmente depois que se juntou ao Everton. Na temporada passada, foi o segundo jogador que mais desarmou na competição – com 142 desarmes – e obteve a melhor média de desarmes por jogo: 4,3. O atleta ainda foi um dos que mais interceptou bolas no campeonato, com 74 interceptações.

Com ele, Tuchel tem um ótimo jogador para melhorar a proteção da frente da zaga, podendo ser um ótimo reserva do Verratti ou possibilitando também que o técnico alemão utilize o italiano mais a frente, como meia central. Outra possibilidade é que os dois atuem lado a lado, numa formação como a da imagem acima, onde Gueye e Verratti seriam os dois meias centrais.

Ander Herrera é um ótimo passador e se junta a Verratti e Paredes como ótima opção para Tuchel como jogador capaz de ligar a defesa e o ataque. Na última temporada, o espanhol teve uma média de 87% de acerto nos passes, além de distribuir aproximadamente 45 por jogo. Mas o camisa 21 não se destaca somente nos passes. No United, principalmente sob o comando de José Mourinho, ele desenvolveu seus aspectos defensivos, passando a jogar com mais frequência como volante (dos 39 jogos da temporada 17/18, 14 foram como volante). Ele, que é meia central de origem, se destacou nos jogos contra os principais adversários do United por ser o responsável por marcar o jogador mais perigoso desses times, como por exemplo Hazard, nos confrontos contra o Chelsea.

Algumas formas de como Tuchel poderá escalar o meio campo do PSG após as novas contratações.

Pablo Sarabia joga mais avançado do que Gueye e Herrera e é um reforço muito bom. Além de sua qualidade, também pesa positivamente a sua chegada pelas opções que o PSG tem para substituir alguém do trio titular: é melhor que Choupo-Mouting e Jesé, que retornou de empréstimo.

O atleta fez uma temporada excelente no Sevilla. Foi um dos melhores jogadores da equipe ao lado de Ben Yedder, obtendo números e atuações excepcionais. Foram incríveis 40 participações em gols, marcando 23 e assistindo 17. Ele joga principalmente como ponta direita e meia atacante, mas nesta última temporada atuou com frequência também pela faixa central do meio de campo enquanto Pablo Machín esteve no comando do time da Andaluzia. O espanhol é um jogador criativo, tanto que na La Liga ele foi o líder de assistências, junto com Messi, sendo também o jogador do Sevilla com melhor média de passes chaves por jogo e quinto dentre todos os jogadores do campeonato. Pablo Sarabia é um acréscimo importante ao ataque parisiense, sendo um jogador para adicionar principalmente criatividade ao jogo da equipe.

E a última contração de destaque da equipe francesa é Abdou Diallo, que também permite que Tuchel tenha mais opções para variar o elenco, primeiro pelo fato dele jogar tanto de zagueiro quanto de lateral esquerdo e segundo por aumentar para cinco as opções na zaga, fazendo com que o técnico possa utilizar com mais tranquilidades formações com três zagueiros, já que terá ainda dois reservas da posição no banco.

 

Distribuindo o PSG na formação 4-3-3 é possível perceber que a equipe já ficou muito mais encorpada e equilibrada – apenas Draxler não tem um reserva, além de Cavani e Meunier não terem suplentes de melhor nível. Porém, alguns jogadores do elenco podem jogar nessas posições, como Verratti na de Draxler e Mbappé no lugar de Cavani. Essa capacidade de adaptação dos jogadores a várias funções é algo muito útil para Tuchel. Como, por exemplo, os zagueiros: Marquinhos pode jogar de volante e lateral direito; Kehrer também faz a lateral direita e Diallo pode atuar na lateral esquerda. Enquanto no ataque Mbappé, Neymar, Sarabia e Draxler podem atuar em várias posições.

O Paris Saint-Germain ainda não é um time para ser cotado como um dos favoritos a ganhar a Liga dos Campeões, e se confirmada a saída de Neymar, as chances da equipe caem ainda mais, mas o time mostrou nessa janela uma visão mais coerente nas contratações. Com os jogadores que chegaram, o elenco fica muito mais equilibrado e completo, contribuindo para que Tuchel possa fazer um trabalho melhor e tenha possibilidades de usar variações táticas para tentar ir o mais longe possível na Liga dos Campeões. Essa evolução do elenco é mais um passo que o Paris Saint-Germain está dando para alcançar o tão sonhado título.

Postado por Wallas Vieira Técnico em Edificações, cursando Administração. Torcedor de Flamengo e Liverpool. Fã da intensa Premier League e do tático campeonato italiano. Gosta de táticas, crônicas e número sobre o futebol.