• A boa fase dos cinco grandes da Argentina: balanço final
    13 de novembro de 2017
    Categoria: Futebol e Internacional

     

    Em meus últimos cinco textos escrevi sobre o momento atual vivido pelos cinco grandes argentinos. Percebi que um ponto fundamental para o sucesso deles é o fato de que possuem técnicos inteligentes e com personalidade capaz de organizar suas equipes em campo independentemente de haver super craques, pois não os há em nenhum – embora existam, sim, jogadores muito bons, nenhum é o que podemos denominar craque – e, por isso, o trabalho do técnico ganha uma importância altíssima.

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    Óbvio que nenhum desses técnicos consegue fazer o trabalho sozinho, há lastro de qualidade no jogadores, mas não há nenhum jogador, em nenhum dos cinco grandes, com uma qualidade tão superlativa capaz de, independentemente do trabalho do técnico, potencializar o futebol do time a despeito desta organização que vem do trabalho mentor de tudo. Com exceção única ao San Lorenzo (coincidentemente o time que demitiu seu técnico, Diego Aguirre, quando do começo dessa série e colocou um interino em seu lugar, pois está na espera pela decisão de três ou quatro nomes para que comecem o próximo ano comandando os “cuervos”), os outros quatro grandes possuem um técnico minimamente respeitável no cenário argentino, embora River e, principalmente, o Racing Club estejam com técnicos questionados (ao contrário de Boca e Independiente, onde os técnicos têm amplo respaldo na torcida, nos jogadores, na diretoria e nos resultados obtidos em campo).

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    Nesse balanço final é necessário, então, impor a pergunta: a “boa fase” dos cinco grandes segue? São, os cinco, ainda capazes de brigar pelo título?

    Copas continentais: desvio de foco

    A mudança do formato das copas continentais, contrastando com a própria mudança no formato do torneio argentino, provocou uma queda no foco de quatro dos cinco grande em relação ao Campeonato Argentino 17/18 (iniciado neste segundo semestre de 2017). Racing, River, Boca e Independiente (além do Lanús, algoz do River Plate na semi final da Libertadores em um jogo épico da equipe “granate”: viraram um mata-mata que precisavam vencer por dois gols de diferença havendo, o River, aberto 2 a 0 na contagem ainda no primeiro tempo) focaram muito suas atenções nos torneios continentais que participam (River e San Lorenzo na libertadores, Racing e Independiente na Sul-Americana), destes, apenas o Independiente segue firme (é semi finalista da Sul-Americana). Todos, porém, quando tiveram sequência de jogos nos dois torneios, optaram por reservas (ou no mínimo equipe mista) no torneio local e titulares no continental.

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    Por mais incrível que pareça, o time que continua na disputa de uma copa continental (o Independiente) é justamente aquele com o plantel mais curto e, por isso mesmo, o que fez rodízio de jogadores com menos intensidade (até porque, como eu já havia citado na coluna, Ariel Holan gosta de ter um elenco curto, cheio de jogadores polinfuncionais e não faz uma clara distinção entre reservas e titulares, a equipe é mutante desde a escalação, passando pelo esquema tático e desembocando em seu estilo de jogar: ora com mais cadência e buscando vencer as linhas defensivas rivais por meio do torque de bola; ora mais vertical, decidindo o jogo em poucos toques, com jogadas de velocidade alucinante).

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    Sem dúvidas, a priorização dos torneios continentais por parte dos quatro deixou o caminho aberto para que o Boca se torne, outra vez, o campeão argentino, pois, embora nenhum dos outros grandes (desconsiderando o Boca) não estejam nem perto do time xeneize, eles são, sem dúvida nenhum, ainda, os que podem perseguir o líder invicto e com 100% de aproveitamento (que venceu no último domingo o River em pleno Monumental de Nuñez por 2 gols a 1) nestes primeiros oito jogos. Boca aponta como ponteiro do campeonato e, dada esta arrancada inicial, parece que estabeleceu uma gordura que não se tira mais: os demais que briguem pelos postos de Libertadores.

    O futuro dos grandes: pensando em 2018

    Sem dúvidas todos os grandes clubes argentinos já pensam em 2018, ainda que o elenco esteja focando em 2017: técnicos e diretoria já planejam o ano que vem, com exceção para o San Lorenzo que busca um técnico (e, por isso mesmo, sua diretoria pensa no que quer para 2018) e para o Independiente que tem algo grande a disputar ainda em 2017, com reais chances de vencer. River, Boca e Racing olham para 2018 com uma visão de muita proximidade.

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    O Boca quer melhorar ainda mais o seu já ótimo elenco. O River deve pensar sobre a permanência do (bom) técnico, Marcelo Gallardo, questionando se seu ciclo de cumpriu, o mesmo deve ocorrer no Racing Club com o lendário Cocca, técnico de um, dos dois, únicos títulos nacionais do Racing em um intervalo de 50 anos (de 1967 até os dias de hoje o Racing ganhou o campeonato argentino em apena duas ocasiões: em 2001 e em 2014), o que é, convenhamos, muito pouco para um grande do futebol argentino. De qualquer maneira, não vejo nenhum dos cinco em má fase e, ademais disso, vejo, ainda, nos cinco o maior lastro técnico para estarem entre os cinco primeiros. Tirante Boca, River, Racing, San Lorenzo e Independiente, o único com qualidade para chegar é o Lanús, que vem com um trabalho sério de muito tempo, o que culminou com o título argentino em 2016 (onde goleou o San Lorenzo de modo impiedoso por quatro tentos a zero) e com uma Sul-Americana em 2013 (que ganhou da Ponte Preta na final).

    Postado por Vinicius Falcão