A balbúrdia da “Gestão Zona Sul”
22 de maio de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Nacional
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Já virou rotina, todo mês a administração do Flamengo solta uma gafe vergonhosa que explode na imprensa e faz do flamenguista uma piada, contada por quem deveria ser aliado na preservação da reputação da instituição, não inimigo. Desde que o ex-presidente Bandeira de Melo deixou o cargo para Landim, o clube carioca vem tomando atitudes que os próprios torcedores não conseguem entender, principalmente no âmbito social, no marketing e na comunicação. A torcida, que sempre foi representada majoritariamente por negros e pobres, assiste sua conexão lentamente se perder com o time do coração.

A atual gestão segrega seus próprios adeptos ao dizer que não usaria mais a expressão “favela” em suas redes sociais por considerar a palavra um sinônimo de “violência”. Favela, aquela que canta sua festa nas arquibancadas, é a mesma que é vista com maus olhos pelo asfalto, que é estigmatizada como lugar de bandido, de pobreza, de “gentinha”. A favela, assim como o Flamengo, é um fenômeno social. Se houvesse de fato um sinônimo para favela, este poderia ser Flamengo, nunca violência.

Não poderia deixar de citar a obsessão por notas oficiais. Afim de transparecer um profissionalismo que inexiste no momento, o clube adotou as notas como uma espécie de resposta para as críticas da imprensa. Como um pré-adolescente que, com medo de se expor, se comunica por bilhetinhos em sala de aula, a administração encara todos os críticos como inimigos públicos e se fecha em uma bolha, onde projeta uma realidade em que são os paladinos da verdade contra os conspiracionistas malvados. O pronunciamento que cita a grande Florida Cup é uma piada de mal gosto, a nota oficial que lançaram apenas para dizer que não diriam nada, mais ainda. O Flamengo, na busca incessante da contenção de danos, se mutila sozinho.

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O pesadelo do torcedor rubro-negro ganhou uma imagem.

A mais nova vergonha, que inclusive motivou este texto, foi a declaração do diretor (de relações externas!) Cacau Cotta sobre as pixações que protestam contra a situação atual do clube. O dirigente teve a pachorra de dizer que o ato não teria sido praticado pela torcida, pois “Mickey” havia sido pixado corretamente e, por isso, o ato foi político, não popular. Como se já não fosse bizarro, após toda a repercussão negativa ele veio a público dizer que foi mal interpretado, já que “Mickey é um termo inglês e a letra estava redondinha, parecia feita em word”.

Inacreditável.

Supor que flamenguistas não teriam capacidade de escrever uma palavra “em inglês” reforça, mais uma vez, que o clube mais popular do país agora pisa em quem sempre o exaltou e segrega, com preconceitos já disseminados pelos rivais, grande parcela da sua torcida que sofre com esse tipo de discurso nojento todos os dias. A impressão que passa é que quem comanda o Flamengo, faz isso da cobertura de algum arranha-céu no Leme, olhando a orla das praias com alguma música da novela das nove tocando, enquanto o Morro da Babilônia, logo atrás, é tratado com desdém.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.