A assustadora e dolorida sensação de impunidade
19 de setembro de 2018
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Nacional

 

O filme é repetido. Dessa vez, no entanto, com requintes ainda mais cruéis. Se nos últimos anos virou rotina acompanhar equipes brasileiras sendo prejudicadas na Libertadores, o VAR surgiu como um possível escudo. Nesta noite de quarta-feira, porém, um lance nos evidenciou uma das mais desesperadoras sensações: a impunidade.

Com imagens de todos os ângulos e o juiz podendo vê-las para tomar uma decisão, o Cruzeiro presenciou um dos momentos mais lastimáveis da arbitragem na competição continental. Em lance normal, Dedé dividiu com o goleiro Andrada, que acabou caindo desacordado. Lance, repito, completamente normal. Até que o técnico Guillermo Schelotto, do Boca Juniors, conforme informado pela reportagem da Fox Sports, resolveu cobrar do quarto árbitro o uso do VAR – ato que não pode acontecer, como bem sabemos.

A equipe responsável pelo apito acatou o pedido e, pasme, expulsou Dedé. A injustiça do paraguaio Eder Aquino é óbvia até até para o mais fanático torcedor rival – veja o lance abaixo. A decisão assusta. Passa a sensação de que os torcedores – e porque não os clubes – estão de mãos atadas diante de uma Conmebol extremamente tendenciosa. Isso porque nossa Federação não tem voz, não se pronuncia e conseguiu a proeza de se isolar de todas as outras, fugindo do combinado na votação para a sede da Copa do Mundo.

Nem mesmo o VAR parece capaz de nos proteger dessas injustiças. Dedé, o melhor em campo na temida La Bombonera, não poderá atuar no confronto de volta. A saída do camisa 26 ainda rendeu outro gol aos argentinos, que levam uma boa e injusta vantagem para o embate em Minas Gerais – vitória por 2 a 0.

Aos fãs de futebol, o cartão vermelho mostrado para o defensor cruzeirense simboliza muito mais do que um erro de arbitragem. É um atestado de injustiça que liga o alerta de sempre: não podemos fazer nada para lidar com isso. Com a expulsão, o amargo toma conta do paladar e ajuda a diminuir ainda mais o encanto por uma competição tratada como obsessão por todo brasileiro.

É necessário abrir um parenteses: há quem esteja culpando o VAR, mas, meus amigos, o problema passa longe disso. O árbitro de vídeo é solução. Pena que aqui, outras coisas sejam maiores do que isso. Não é a primeira vez – nem na história, nem neste ano. Times argentinos com jogadores irregulares passam em branco, os brasileiros… Intragável.

A final em jogo único é suportável. A vergonha que vimos nesta noite e em outras oportunidades, não. Está difícil gostar da Libertadores. A impunidade dói demais em que é prejudicado.

Postado por Andrew Sousa Formando-se em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.