A ambição de Sampaoli precisa de companhia
1 de fevereiro de 2019
Categoria: Futebol e Nacional

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Ainda é muito cedo para fazer qualquer análise profunda que não seja precipitada, até porque os jogos até agora parecem ser de pré-temporada. Conhecimento de elenco, entrosamento e teste de esquemas variados são fatores que demandam tempo. Ainda assim, já é possível notar mudança na postura dos jogadores do Santos. E o mais incrível disso é perceber o quão rápido Sampaoli conseguiu conquistar a admiração e envolvimento dos atletas.

O time praiano já tem as características de jogo que o treinador gosta. Tudo mudou: postura de time, a ideia de pressionar o adversário na linha defensiva, posse de bola com propriedade, explorar todos os vazios do campo, verticalidade e efetividade nos passes – até nos do Vanderlei.  A combatividade do time nos primeiros jogos demonstra uma gana maior, ânsia por protagonismo, mesmo não tendo material humano suficiente para isso, se comparado aos demais rivais.

O grande embaraço dessa simbiose entre Santos e Sampaoli está na diretoria santista. A cada dia o técnico se identifica mais com o clube, jogadores e até com a cidade. O imediatismo e competitividade de Sampaoli é tanto que, em pouco tempo, já frequenta futevôlei na praia e contratou um professor de beach tennis para auxiliá-lo no novo esporte. Tampouco é diferente com dia a dia do alvinegro praiano. Desde a primeira conversa do técnico com a diretoria, o comandante “loco” desperta dor de cabeça no lento e, muitas vezes, acomodado presidente Peres.

Do mesmo modo que o desempenho dentro de campo traz a esperança de um bom ano com um elenco menos badalado, os resultados ressaltam ainda mais a passividade da diretoria com as contratações. Talvez a resposta imediata com a bola nos pés tape os olhos, não só dos torcedores alucinados que já falam em título, como também de uma gestão que desde o começo conhecia o comportamento de Sampaoli. Mas insiste em demorar.

Mesmo os atuais jogadores não se parecendo com os mesmos do ano passado, ainda é pouco. Sobra vontade e assimilação de jogo, mas falta material humano e peças de reposição. Fato é que no atual momento do Santos, procrastinar pode ser seu maior pecado.

Sampaoli demonstra, até mesmo após uma brilhante partida contra o São Paulo, que quer mais. Resta a diretoria querer também.

Postado por Abner Oliveira 20 anos, graduando em Jornalismo. Santista de coração, mas movido pela razão. Apaixonado por histórias e esporte. Escrever, para mim, é arte. Estou aprendendo sempre.